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Quinto Capítulo…

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O mês de junho já chegava ao fim e as férias de verão já se anunciavam. Muitos turistas já circulavam pela cidade luz . As aulas na universidade chegaram ao fim com uma belíssima apresentação dos alunos de Debora que exibiram seus tons e formas numa pequena vernissage realizada na própria universidade… Debora e Dario também foram assistir a última apresentação da Sinfônica de Berlim que estava se apresentando em Paris naqueles dias…

Repentinamente, Debora perdeu-se junto a paisagem, chegando a visualizar a figura daquele menino que  trazia consigo, bem ali no palco. Foi impossível não recordar as muitas conversas sobre os sonhos que tinham em comum. Dizia ele “nós vamos viajar o mundo juntos. Eu vou ser um músico famoso e você a mais talentosa artista plástica do mundo. Uma dupla perfeita: você e eu. Acha que eu estou delirando?”. De volta a realidade, Debora sorria em seu canto de mundo sem perceber que Dario a observava atentamente. Ele não fazia idéia de onde estavam seus pensamentos, mas ele gostava de pensar que ela estava “criando uma nova perfeição”… Costumava ser assim.

Os aplausos intensos do público a trouxeram de volta e repentinamente ela já sabia o que iria fazer naquelas longas férias de verão:

_ Dário, eu acabo de decidir que vou fazer uma viagem!
_ Como assim Deb? Você não pode viajar agora. Esqueceu da reforma na Escola de Arte, no seu atelier, lá em casa? Nem brinca comigo cherry. Eu vou enlouquecer se você fizer isso comigo…
_ Dário, por favor. Você não precisa de mim aqui pra isso. Foi você quem achou que todas essas reformas são necessárias…
_ Mas você concordou comigo.
_ Claro que concordei. Mas você não precisa de mim aqui para cuidar de tudo. Eu confio totalmente em você e sei que tudo que você fizer, vai ficar maravilhoso. Dário, tem algo muito importante que eu preciso resolver. Você sabe que eu não sou o tipo de pessoa que fica esperando o destino agir. Cansei de ficar esperando que o destino me leve até um teatro e me mostre o George se apresentando com toda polpa e circunstância…
_ Cherry, o google é um ótimo assistente de destino. Digita o nome “George Petrasco” no google e deixa que ele te leve até ele… Se ele é um músico conhecido como você acha que é, com toda certeza o google vai te dizer isso.
_ Não dá Dário… Não é só isso… Você sabe disso tão bem quanto eu!
_ Sei?
_ Eu preciso de algo que me abale às estruturas, que mexa comigo. Eu quero viver uma dessas paixões que me arranque de mim… Que me deixe de quatro, sem ação, totalmente refém. É isso que me falta pra conceber a perfeição que me falta!
_ Sabe o que eu sei? Que você enlouqueceu completamente… É a única explicação, porque quem em sã consciência quer viver algo assim?
_ Dário, sabe qual foi a última vez em que eu me apaixonei? Tem alguma idéia? Eu tinha dezesseis anos. Era uma menina cheia de sonhos e sem a menor idéia de como iria realizá-los, vivendo naquele universo pequeno, limitado, parco até que eu percebi que se eu não saísse de lá, eu iria sufocar. Então eu vim pra Paris e eu cheguei totalmente nua, vestindo apenas a paixão que eu tinha por essa cidade. Foi essa paixão que me fez aprender, crescer, ir atrás de tudo que eu queria. Eu conquistei tudo que eu podia. Essa cidade continua na minha pele e na minha alma, mas já não é mais o bastante. Eu estou me sentindo nua de novo…
_ Deb… Definitivamente, você não existe! Você não é real. Pronto, é exatamente isso: você não é real…

Deborah sorriu diante daquele comentário, depois respirou fundo e buscou pelo olhar compreensivo do amigo que sabia que ela iria fazer as malas e sumir no mundo por uns dias. Ele já estava acostumado aos rompantes da amiga e o pior é que ele iria ajudar com as malas e iria ficar torcendo intensamente para ela encontrar o que tanto procurava:

_ Mon cherry, a vida precisa de paixão. Eu preciso de paixão para criar, pra me sentir viva e mais do que nunca eu quero uma paixão insana, que me arranque de mim, que cause tumulto nas minhas veias. Tem que ser algo pra valer, sabe? Não quero nada calmo, quero que seja intempestivo, insano, completamente louco… E eu sei onde eu vou encontrar isso…

 

>> quarto capítulo…                                                                                    >> continua

  1. Setembro 10, 2009 às 1:52 PM | #1

    Então, conheço gente como Débora, que quer se apaixonar e viver a vida torridamente! Depois que encontra essa paixão, sente tanto ‘desespero’ que passa a querer retornar ao dia anterior a esse episódio, somente para desviar o curso do destino. Ah, tá! 1% dá certo! :D Beijus

  2. Setembro 11, 2009 às 9:57 AM | #2

    Não sei, a Debora me parece em busca de elementos para sua criação e não exatamente em busca de uma paixão. Eu pelo menos entendi assim. Ela precisa de argumentos que causem nela alguma trepidação. Mas que é de arrepiar, isso é.

  3. Setembro 12, 2009 às 6:49 PM | #3

    Os artistas precisam de paixões e emoções fortes para poder criar, é muito coerente esta ânsia da Debora para encontra-las…imagino no que vai dar quando isto acontecer.
    Beijos.

  4. Setembro 17, 2009 às 10:58 PM | #4

    Débora está corretíssima. Sua vida está perfeitinha demais. Precisa ser desafiadas, desestruturada. Voltará ao Rio?

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