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Décimo Capítulo…

beijo-casal.jpg image by tmaneca
Então ela finalmente tinha feito a pergunta, George andou de um lado para o outro como quem procura uma simples resposta que explique uma vida inteira, enfim, o que era para ser simples, complicava-se cada vez mais. O que houve com ele? Ele simplesmente havia se desiludido com os sonhos que passaram a ser possível quando ela estava com ele e depois? Bem, perdê-la fez com que seus sonhos também se perdessem e claro que parte dele a culpava por isso…

Ela não desistiu de seus sonhos e jamais o faria porque Debora era o tipo de pessoa que lutava por tudo que desejava. Sua vida era um mar de conquistas. Sua primeira exposição causou furor nos franceses. Ela foi amada e odiada por muitos. Concluiu seus estudos com louvor e hoje dava aulas na mesma Universidade onde se formou. Seu atelier era um dos mais concorridos na bela Paris e sua vida parecia ser um sonho realizado.

Olhar para ela não era fácil, parte dele queria tocá-la, sentí-la, sabê-la, têm-la… O sorriso amarelecido e o ar que não vinha sempre que precisava deixavam George impaciente e ele também tinha perguntas que talvez nunca tivessem respostas, mas foi então que ela digeriu-se a ele com sua altivez:

_ Eu imaginei milhões de vezes como seria te reencontrar depois de todo esse tempo e acabei passando por você sem te reconhecer… E o pior é que desde que eu embarquei rumo ao Brasil é que eu fiquei imaginando como é que a gente iria se reencontrar. Eu não sei mais nada sobre você George… Quer dizer, eu sei que você abandonou a música, se formou em Direito e isso me deixou completamente atordoada…
_ Era só um sonho Debora e nem todos os sonhos são para serem realizados. É claro que você não vai concordar com isso. Mas pra mim, aquele sonho de adolescente parece uma idéia absurda, só isso… Mas e quanto a você? Veio sozinha ou veio com o Giles?

O sorriso revelou certo incomodo para com aquela pergunta o que a fez caminhar pelo local, enquanto levava mechas de seus cabelos para trás da orelha, antigo costume que fez George perceber que nem tantas coisas assim haviam mudado assim:

_ Eu vim apenas comigo, essa viagem é diferente George. Como te explicar? Digamos eu esteja num momento de silêncio e estou procurando barulho, desesperadamente…

Aquela informação não era tão simples de compreender, mas na certa deveria algo ligado a arte. Em alguma parte de sua alma, o músico ainda existia e talvez o eco daquele ser que confeccionava letras de música o ajudasse a compreender aquelas palavras. Sim, porque as vezes George se retirava do mundo e se escondia em seu quarto onde ainda rabiscava uma coisa ou outra e no final, ele amassava e jogava fora. O lixo era o lugar de seus antigos sonhos:

_ Eu li as críticas sobre a última exposição. Paris gosta mesmo de você e de seu estilo?
_ E quanto a você? Gosta?
_ Eu não vi muita coisa do que você fez, apenas o que saiu na imprensa daqui e as coisas ainda demorar a chegar no Brasil, principalmente quando o assunto é arte, mesmo com a internet…

Aquela não era exatamente uma verdade, mas ele queria se manter a salvo, impor certa distância, evitar novos diálogos, mas Debora não era o tipo de pessoa de quem conseguia se escapar com facilidade:

_ Eu fui a muitos lugares nos últimos anos, estive na China, Índia, Japão, Canadá, México, Rússia, Jerusalém e depois de todos esses lugares, eu tive que voltar pra cá. Engraçado isso, não acha? Mas era isso que minha alma pedia e mesmo relutando um pouco, acabei embarcando pra cá… Tudo isso porque eu precisava ver você novamente!

George fora completamente surpreendido por aquele comentário. Ele não sabia o que dizer, estava inquieto… E o que deveria ele dizer? “Mesmo? Então você voltou por minha causa?” o problema é que aquele comentário também serviu para irritá-lo. Ela não tinha o direito de estar ali por causa dele, não depois de tê-lo deixado para trás, de ter mentido pra ele como mentiu. Não depois de mais de quinze anos sem notícias, sem contato algum.

Ele respirou fundo, tentou não perder o controle daquela situação, engoliu seco várias vezes e vestiu-se de uma ironia pouco comum a ele:

_ As vezes eu acho que você e a sua mãe não se suportam porque uma olha para a outra e se reconhece como se estivessem diante de um espelho. Eu preciso ir. Espero que encontre o barulho que veio procurar. Passar bem Debora Peixoto…

>> continua…

  1. Setembro 17, 2009 às 9:10 AM | #1

    Que comentário mais infeliz esse do George. Já estou pegando birra com ele. Tá, qual o problema gente, ela voltou porque precisava rever o amor de juventude. Ele não deveria ficar feliz com isso? Eu heim

  2. Setembro 17, 2009 às 9:21 AM | #2

    Fiquei com a sensação que ele disse isso só para atingi-la, porque na verdade ele ainda gosta dela e acho que não quer ter que assumir isso. Vem romance por aí. Legal Lu. Beijos

  3. Setembro 17, 2009 às 9:31 AM | #3

    Concordo com a Francy´s, comparar a Debora a chata da mãe dela foi péssimo… Também não gostei e não acho que vai ter romance entre esses dois não, eles são tão diferentes. A Debora é mais ousada, objetiva, direta nas coisas, como foi no capítulo de hoje, enquanto o George parece ser o filhinho da mamãe, se duvidar a Debora foi a unica namorada dele.
    Parece um filme que eu assisti em que a mãe não aprovava as namoradas do filho, então ele ficou solteiro.
    A história está cada vez mais interessante, viu?

  4. Setembro 17, 2009 às 11:44 AM | #4

    Dizem que a melhor defesa é o ataque, talvez ela a tenha atacado a comparando à Eva porque se sentia intimidado e perdido diante dela…ou ela tocou sua corda sensível e vai conseguir ressuscitar o músico que se esconde nele.
    O suspense continua muito bom!

  5. Setembro 17, 2009 às 3:55 PM | #5

    As duas são iguais no quesito: satisfação pessoal. ;) Se ela é uma mulher inteligente poderia imaginar que ele talvez não a recebesse bem, justo por causa da ‘mentira’. Essa Débora, cheia de si, vai cair de quatro? :D Beijus

    • Setembro 24, 2009 às 10:44 AM | #6

      Ai Luma, eu no acho a Debora cheia de si no. Acho que uma artista e que observa o mundo a partir de si. Gosto muito da fora dela, mas o George se acovardou e usou a “mentira” em questo como justificativa para ficar preso ao passado…

      Ps. Desculpe a demora em responder, mas estive ausente nos ltimos dias, os posts so programados porque a novela foi escrita h meses atrs, s tenho editado alguns captulos no melhor estilo Debora: leio milhes de vezes at conseguir a perfeio. Bjs

  6. Setembro 17, 2009 às 11:26 PM | #7

    Humm… Sei não se gosto deste George… Será que vai aparecer alguém novo para ela ou ele se transformará em outro?

    Lunna, parabéns pela estória. Estou babando aqui com toda a densidade e riqueza dos personagens e da trama. Pega a gente pelo colarinho e sai arrastando. kkk

    Vou acompanhar, com certeza!!! :D DD

    Beijos

    • Setembro 24, 2009 às 10:42 AM | #8

      Nunca se sabe carissima… Eu acho que eles precisam finalizar o que apenas comeou e ficou pelo caminho. Bjs

      Ps. Juro que eu tambm no sei se eu gosto do George. rs

  7. Setembro 18, 2009 às 1:56 AM | #9

    Esta história está cada vez melhor. Estou aguardando a continuação dos capítulos para verificação (o que eu quero mesmo é ler o restante rs).
    Bacio em tuo cuore, amore mio

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