Décimo Terceiro Capítulo…
Nos dias seguintes, Debora ocupou-se da “desconstrução” de seu quarto, de alguns passeios pela cidade carioca na companhia de seu pai, de entrevistas para jornais e programas de televisão e claro, com a noite carioca – sexta-feira a noite, som nas alturas e a surpreendente companhia de Claúdia que parecia não compreender como sua irmã conseguia gostar de tanto barulho, luzes, bebidas, corpos suados. Em sua mente, Debora era uma intelectual, logo, não poderia gostar de “baladas”, “festas que rompiam com o silêncio e instituiam uma forma inusitada de desconforto”…
Mas lá estava ela, no meio da pista, com estranhos, feito adolescente, dançando frenéticamente enquanto Claudia tentava suportar aquilo tudo. Não demorou para que o primeiro gole acontecesse e para o segundo, terceiro gole foi apenas mais um passo. Os sorrisos começaram e lá se foi ela para a pista desiquilibrar-se em meio a tantos corpos suados e malhados…
Debora percebeu que sua irmã havia bebido um pouco a mais e tratou de levá-la para casa. Definitivamente não suportava bêbados, a quem ela considerava inconvenientes e estraga prazeres. Claudia fora arrastada do lugar “pô, logo agora que eu estava me divertindo. Vamos ficar”… Mas não houve acordo, o que houve foram inúmeros pedidos de desculpas no dia seguinte e claro, uma enorme dor de cabeça.
A dor de cabeça, contudo, serviria para Claúdia despertar de um longo sono – um passeio aparentemente sem destino, feito em meio a muitas lamentações. Lágrimas típicas de quem se arrepende do longo caminho percorrido até ali e finalmente um olhar para o vazio onde novas possibilidades (ainda que insanas) começam a se desenhar. E ela voltou para casa em busca de motivação. Encontrou Debora em seu quarto, ouvindo músicas enquanto apreciava o branco do teto de seu quarto (hábito comum desde a infância):
_ Você precisa vir comigo. Eu quero te mostrar um lugar que eu descobri!
E como quem não tem opção, Debora levantou-se e foi com sua irmã para uma casa velha que estava para alugar. De imediato ficou a imaginar o que aquela visão teria causado em sua irmã, mas não encontrou uma resposta possível:
_ Então? O que você achou desse lugar? Eu estava com tanta dor de cabeça que resolvi sair pra caminhar e nem percebi que eu tinha andado pra caramba. Eu parei pra respirar um pouco e foi aí que eu vi esse lugar com uma placa de aluga-se…
Debora recusou-se a dizer qualquer coisa porque não viu sentido algum naquela lugar, na forma de encontro anunciada com tamanha empolgação e naquela altura, ela preferia continuar sua conversa com o teto ao som da música que ouvia. Mas também sabia que precisava compreender sua irmã e permitir a continuidade daquela motivação causada por aquela velha casa:
_ E posso saber no que exatamente você esta pensando?
_ Me fala você Debora. O que você ve quando olha para esse lugar?
_ Cherry, pra mim é apenas uma casa precisando de reforma urgentemente, mas é claro que pra você tem outro significado. Então me diz porque eu sai com muita pressa que deixei minha bolinha de cristal em cima da cama…
Claúdia respirou fundo porque esperava que uma artista com sua irmã visse naquele lugar algo de especial e que desse a ela algum tipo de conforto, como se fosse preciso a aprovação dela para uma idéia surgir em sua mente:
_ Eu pensei em um bar, mas não um bar qualquer. Um bar com uma galeria e um palco para música ao vivo… Então, o que você acha?
Debora não sabia bem o que dizer, mas queria conseguir dizer algo que a motivasse, embora naquele momento parecesse impossível. Então ela sorriu, ainda que com atraso. Olhou a sua volta e tentou imaginar todo o trabalho que ela teria para transformar aquele lugar em um bar, com uma galeria e um palco. Um giro lento por todo o local gerou ansiedade em Claúdia que espera pela aprovação. Do outro lado, Debora já estava certa que sua irmã ocupar-se-ia daquele projeto por um bom tempo e por um instante achou que não iria fazer diferença se iria dar certo ou não:
_ Bem, só tem um jeito da gente saber no que isso vai dar. É fazendo acontecer…
_ Então, você vai me ajudar?
_ Eu?
>> continua…



Acho que sou meio contraste tbm… rsrs.. Adoro meus silêncios, meus momentos de introspecção… mas tbm gosto dos barulhos, das danças… mas não curto bêbados chatos.. rsrs..
E adorei a ideia da casa… Confesso que gostei da fachada! E sempre achei que um bar tem que ter uma galeria, algo que tenha mais que bebida… rsrs.. (eu penso num cantinho assim)
Beijos
Neste ponto sou como a Claudia, não gosto de musica alta e barulheira, prefiro “the sound of silence”…quanto ao novo projeto dela, ela está buscando uma “muleta” para se apoiar e conseguir ir em frente, escolheu a irmã. Para a Débora pode ser um quebra-cabeças…
Beijos.
Aff!! Quero ver no que isto vai dar!! Beijus
Olha só que legal!!! Um brilhante reinicio se vislumbra tanto para Cláudia quanto para Débora. Adorei.
Sei muito bem o que esta sensação de olhar para algo em ruinas e imaginar diferente.
Espero que tenham sucesso.