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Décimo Quarto Capítulo…

image Debora se viu numa situação delicada, não queria desmotivar a irmã, mas também não podia se envolver com aquele projeto que muito provavelmente não iria dar em absolutamente nada, mas ao mesmo tempo sabia que não podia simplesmente "puxar o tapete" da irmã. Era preciso um envolvimento da parte da Claudia com alguma coisa e isso fez Debora respirar fundo ao perceber que estava diante de um beco sem saída:

_ Claudia, eu não entendo absolutamente nada disso que você está querendo fazer. Tudo que eu posso fazer é participar como ouvinte e de repente até discutindo algumas coisas com você…
_ Debora, eu não sou como você. Eu não tenho coragem bastante para esse tipo de coisa. Eu nunca fiz nada desse tipo. Nem sei como essa idéia surgiu na minha cabeça. Eu acho melhor esquecer essa loucura toda! Vamos embora daqui…

Debora sentiu vontade de chacoalhar sua irmã, mas não podia fazer isso. Aquele medo todo, aquela restrição ao novo era irritante. Mas ela novamente respirou fundo e como quem conta até dez, dirigiu-se para perto de sua irmã, buscando palavras que não fossem ásperas ou desnecessárias:

_ Lembra que eu falei que você precisava experimentar coisas? É justamente isso que você está fazendo… Então não vem com essa que você não é igual a mim e esse monte de bla bla bla que não vai te levar algum. Aproveita que você teve uma idéia e mesmo que ela não vá dar em nada, investe o seu tempo nisso e de repente você se reinventa de alguma forma. O que não dá pra fazer Claudia, é ficar parada esperando que algo mágico aconteça…
_ Não sei. Eu preciso pensar melhor!

Nos dias seguintes, Claudia ocupou-se com algumas pesquisas, sempre motivadas por sua irmã que parecia testar sua paciência a todo momento. Foram muitas idas e vindas ao velho casarão – várias anotações sem sentido algum e dúzias de questionamentos que sempre a conduziam ao mesmo ponto: "não sei se eu consigo fazer isso".

Debora já estava quase desistindo de participar daquele cenário enlouquecer quando foi socorrida por Mauro que acabou por apresentar Mateus a Claudia. Mateus era um desses homens interessantes, elegante e com um vasto conhecimento do assunto em questão. Ele havia trabalhado com o avô em um bar, aprendera com ele a “brincar” com garrafas e divertia-se enquanto entretia o público. Ele estava de passagem pelo Rio e teria tempo para ajudá-la com o projeto que de repente já tinha até um nome “Galeria´s Bar”:

_ O que você achou do nome?
_ Parece ser um nome bem forte. Pode dar certo!
_ Acha mesmo? _ O que foi? Não acredita em si mesma?
_ É claro que eu acredito. Sem dúvida que sim, mas é que é sempre muito bom ouvir uma outra pessoa dizendo que vai dar certo, principalmente quando essa pessoa conhece o assunto, como você…
_ E você já escolheu o lugar onde vai montar o seu negócio?
_ Já… O lugar é lindo. Quer conhecer?

Claudia acabou encontrando em Mateus o ânimo que precisava para investir seu tempo naquele projeto. Agora sim, ela sentia que iria dar certo. Debora passou a ser uma mera coadjuvante daquele projeto de vida que estava deixando  Eva completamente atordoada, afinal, na sua opinião,  Claudia deveria estar usando aquele tempo que estava desperdiçado com uma bobagem, para salvar seu casamento.

Eva foi conhecer de perto o tal lugar que estava sendo transformada em um bar. Algo inconcebível em sua mente, enfim, quando lá chegou olhou para todas aquelas coisas e não fez questão alguma de esconder seu desagrado. Arrastou Claudia para casa e tratou de dizer que pensava sobre aquele seu “projetozinho”:

_ Isso só pode ser idéia daquela sua irmã. Você jamais teria uma idéia absurda como essa. Escuta aqui Claudia Petrasco, pare já com isso, está me entendendo?
_ Mamãe, primeiro que a idéia do “Galeria´s bar” foi minha e não da Debora. Eu posso muito bem ter idéias e eu estou experimentando coisas, goste você ou não…
_ Experimentando coisas??? Essa é boa. É claro que isso só pode ser coisa daquela criatura desprezível…

Claudia inquietou-se, nunca antes tinha percebido aquele desprezo e total descaso de Eva para com a própria filha, o que a fez sentir-se totalmente desconfortável:

_ Mamãe, por que você fala desse jeito da Debora? Ela é sua filha tanto quanto eu. Tudo bem que nós duas sempre fomos muito mais próximas, mas isso não justifica esse desprezo todo. Você fala da Debora como se ela fosse um peso pra você…
_ E o que você acha que ela é? Sua irmã inventou de ser famosa só pra me irritar. Como se ela ficasse lá, dizendo o tempo todo “está me vendo aqui Eva Peixoto? Sou eu, a Debora Peixoto, a grande artista plástica internacional”. Pois eu ainda vou ter o prazer de viver o bastante pra vê-la esquecida…
_ Mamãe, por favor, a Debora é sua filha…
_ O que há com você Claudinha? Já não basta o seu pai me lembrar constantemente disso? Agora você também… Tudo que eu mais queria na minha vida era esquecer que a sua irmã existe, mas não… Ela faz questão de estar presente em minha vida estampando seu maldito nome em todos os jornais e revistas… Que inferno!
_ O que foi que a Debora fez pra você ter tanto ódio dela assim?
_ Ela existe e as vezes eu acho que ela existe apenas pra me lembrar que eu quase fui uma idiota completa, como você esta sendo. Eu quase troquei a minha vida perfeita por uma futilidade qualquer. Eu também me deixei seduzir por uma idéia maluca… Eu quase pus tudo a perder Claudinha e não vou ficar aqui assistindo você cometer o mesmo engano…

>> continua…

  1. Setembro 23, 2009 às 10:28 AM | #1

    Gente, e agora? Só amanhã? Não gostei.
    Sinto que vem coisa por aí!

  2. Setembro 23, 2009 às 10:40 AM | #2

    Dona Lunna, que maldade a sua em cortar a coisa pela metade.
    Agora vamos falar sério, essa Claudia aí é um porre e acho que ela só trocou de muleta. E essa Eva é pura maldade, até parece vilã de novela das oito.
    Mas e a história do Mauro, vc parou no meio do caminho.

  3. Setembro 23, 2009 às 10:46 AM | #3

    Gente, e agora? Só amanhã? Não gostei. [2]

    Pultz… Existe uma Eva no meio do caminho!!! :(
    Que criaturinha viu?! Já está colocando birra no projeto da Claudinha… Ela é terrível pq gosta… rsrs.. Se a afinidade maior é com a Claudia por que essa “coisa” não apoia ela??! Ah… tah pq ela tem que fingir que é feliz no casamento!! rs….

    Beijos, Luu!! :D

  4. Setembro 23, 2009 às 11:30 AM | #4

    Gente, e agora? Só amanhã? Não gostei. {3}
    Caraca, meu, demais esse capítulo.
    Essa Claudia e suas muletas e essa Eva e suas mutretas. Ainda bem que ela gosta da filha mais velha. Imagina só se ela não gostasse. Meu, nem quero imaginar.

  5. Setembro 23, 2009 às 11:36 AM | #5

    Hum, acho que agora esta se desenhando porque a Eva não gosta da Débora…é porque a filha triunfou em algo que a Eva gostaria de ter feito, e deixou para lá por causa das convenções…é inveja pura!
    Beijos.

  6. Setembro 23, 2009 às 11:38 AM | #6

    Hum, acho que agora está se desenhando porque a Eva não gosta da Débora…é porque a filha triunfou em algo que a Eva gostaria de ter feito, e deixou para lá por causa das convenções…é inveja pura!
    Beijos.

    PS: Desculpe, me enganei e coloquei este comentário no capítulo anterior.

  7. Setembro 27, 2009 às 3:07 PM | #7

    Tinha que ter um motivo. Será que D. Eva apaixonou-se no passado? Será que Débora não é fruto desta paixão? Ou então, teve que desistir do amor por conta da gravidez?

    Interessante. Estou torcendo por Cláudia. Acho que vai se transformar em uma pessoa melhor com este bar.

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