Vigésimo Quarto Capítulo…
Na manhã seguinte, Debora estava ausente do mundo… Seu corpo encontrou repouso em uma pedra e por lá, ela se deixou ficar… Distante, com os olhos “presos” a paisagem e o olhar ausente de tudo. Ela parecia contemplar o infinito como quem busca por outras composições, algumas recém criadas – outras antigas…
A noite havia sido reveladora, ela quase não dormira… Apreciara o sono tranqüilo de George durante um bom tempo: a pele dele envolta pela coberta criou curiosas formas de contornos e aos poucos todos os elementos que seriam usados na composição de “corpo e alma” ficaram claros. Tudo isso fez surgir uma estranha combinação de sentimentos em sua pele que estavam rasgando-a por inteiro… Ela não estava triste. Estava vestida por uma melancolia intensa, cheia de diversos significados. Aquele silêncio era quase uma obrigação para com sua pele e sua alma.
George acordou sozinho e se pôs a procurar por ela, quando saiu pelas portas do fundo, a localizou sentada em uma pedra. Ele sabia o que estava acontecendo, então aproximou-se lentamente e ao perceber aquele estado embrionário, voltou para buscar uma manta para envolvê-la de forma breve, se permitindo estar ali com ela, sem importunar suas sensações. E ambos ficaram ali por um bom tempo a compor um cenário a parte do mundo.
Por fim, Debora aninhou-se junto ao corpo de George e repentinamente começou a chorar compulsivamente… Ele esperou as lágrimas esculpirem uma forma de silêncio para só então tomá-la em seus braços para levá-la de volta para casa. O corpo recém aconchegado na cama, duas canecas de chá quente e o silêncio que seguia existindo. Ele não ousaria dizer uma só palavra enquanto ela não o fizesse. Algo ali poderia se perder e ele não se perdoaria por isso…
Debora acabou adormecendo para acordar horas depois com o cheiro de comida pronta, George havia preparado uma massa regada ao sugo para surpresa da artista que não conhecia os dotes culinários do moçoilo. Ela seguia imersa numa forma inusitada de desprendimento:
_ Não sabia que você cozinhava…
_ Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim, se bem que tem muitas coisas que nós dois não sabemos um do outro, não é mesmo?
Debora respirou fundo, havia muitas lágrimas em seus olhos ainda, estava frágil. Aqueles momentos sempre conferiam a ela uma estranha forma de dor. Era como se tivesse perdido algo ou alguém. Era passageiro, mas o pouco tempo que existia era suficiente para deixá-la daquele jeito:
_ O cheiro está uma delícia…
_ Então vamos ver se você acha o mesmo do sabor!
Os dois comeram ali, ao lado da lareira, saboreando um delicioso vinho, conversando futilidades, descobrindo singularidades um sobre o outro e por fim se enroscando um no outro, numa entrega prazerosa, numa procura que parecia não ser possível ter fim. Lábios que se procuravam tanto quanto os olhares… Por fim, o aconchego que vinha depois nos braços um do outro. Dormiram ali mesmo, sem pressa alguma, encaixados um no outro sem se preocupar com o que fariam depois, mesmo sabendo que seria preciso pensar nisso tudo…
Debora novamente acordou mais cedo e dessa vez foi ela quem preparou o café da manhã para surpresa de George que não imaginava sua amada ali naquele cenário: junto ao fogão, a mesa, a pia:
_ O que está fazendo?
_ Não é mais o que eu estou fazendo. É o que eu fiz: vamos ver se me sai tão bem na cozinha quanto você…
George achou graça do comentário e sentou-se rapidamente para conferir o sabor do pão na chapa^e do chocolate quente. Estava tudo apetitoso, mas o melhor de tudo ali ainda eram os beijos de sua amada e isso sabor algum conseguiria superar:
_ Eu estava aqui pensando: eu vou precisar resolver algumas pendências e depois serei todo seu…
_ Como assim?
_ É que eu tenho que acertar algumas coisas aqui antes de embarcar com você pra Paris e como eu sei que você ainda vai ficar por aqui mais uns dias, vou aproveitar para acertar tudo. Mas o que eu queria mesmo era sair daqui e ir direto para o aeroporto e de lá direto pra Paris com você, mas tem a sua exposição e eu também tenho essas pendências. Então…
Debora respirou fundo, compreendia muito bem porque George queria simplesmente sair dali direto para Paris. Era medo de enfrentar sua mãe e ter que fazê-la aceitar seus desejos. Como iria conseguir fazer isso? Enquanto degustava o chocolate quente, Debora espiava George e pensava consigo mesmo “isso é algo que talvez você nunca venha a fazer, então na última hora, você simplesmente vai desistir de ir e vai me dizer: eu não vou”…
Debora se manteve lúcida, arrumou suas coisas e começava a procurar em si mesma alguma forma de conforto… A volta para o Rio foi silenciosa, ela pouco falou, ele fez o mesmo por respeito ao silêncio que viu ocupar a pele de sua amada. Mas parou o carro repentinamente para beijá-la com sofreguidão, ao final daquele beijo estavam “presos” ao olhar um do outro e ela sorriu ao sentir no seu intimo mais profundo que sentiria falta daquele toque, daquele olhar, daquele desenho de homem que passara a existir naqueles últimos dias. Isso a fez respirar fundo:
_ O que foi Debora?
_ Você me disse que foi pego de surpresa por mim e eu devo dizer o mesmo com relação a você. Só isso…
Então, com as mãos junto ao rosto de Debora num carinho lento e tranquilo, ele tentou acalmar seus sentimentos. Não seria fácil já que Debora sentia em sua pele que aqueles eram os últimos instantes entre eles dois e sua pele já começava a sentir saudades. Ela que havia desejado se apaixonar, começava agora a desejar não ter desejado tal coisa…
>> continua…



Desejou se apaixonar e agora esta desejando não ter desejado. Ai ai ai…
Coisas da dona Debora. Acho que ela dançou nessa. Bjs
Pelo que tudo indica: danou pra valer…
Que gostoso está este namoro dos dois, mas parece que não pode durar muito…
Realmente o namoro dos dois tende a ganhar novas construes nos prximos captulos, afinal, tudo que surge a partir de uma mentira precisa ser desconstrudo para ver o que fica… Bjs
Este início é gostoso demais, borboletas na barriga, coração disparado, ansiedade. rsrs
E as coisas comeam a ganhar novos desenhos, no mesmo? Aos poucos vai ficando claro que h medo de ambas as partes…
George é muito grudento!! Tudo bem que ele conhece a Deby como ninguém e talz, mas ele é um grude só… E por falar em conhecer, a Deborah não sabe naaaaada dele, credo!! O.o Só sabe que ele tem medo de enfrentar a mãe, rsrs… Agora na cama eles se entendem como ninguém…
Ento, eu acho que ela sabe mais do que imagina e ele segue com medo de perd-la, assim sendo, fica difcil entender muito bem esse relacionamento que vai se definindo aos poucos…