Trigésimo Segundo Capítulo…
George voltou para sua casa onde tudo que podia se ouvir eram as vozes de duas pessoas que pareciam embriagadas: Áurea e José Frederico que estavam despidos e sob os lençóis… Os dois trocavam intimidades, carícias e confidências na certeza de que estavam sozinhos, mas não estavam…
O casal gozava de uma falsa liberdade que permitia a eles não se preocupar com portas entre abertas, silêncios e impedimentos vários como a possível presença de George que nunca desconfiou de tais obscenidades entre eles.
Do lado de fora, boquiaberto, George não conseguia acreditar no que ouvia. Era doentio demais saber que seu irmão mais velho estava na cama com a própria mãe. Ali, encostado contra a parede, em meio a um transtorno pessoal ele ainda não sabia bem o que sentia com relação a tudo aquilo e diante de tal infortúnio, ele apenas ficou ali por um bom tempo a ouvir tudo que diziam:
_ Me diz uma coisa, porque não se livra daquele idiota? Já estou cansado de ter que me preocupar com ele aqui… É sempre a mesma coisa: temos que esperá-lo ir dormir todos os dias para que eu possa ocupar o meu lugar de direito… Também estou cansado de ver você paparicando o seu filhinho querido. Eu já disse a você que eu não gosto da forma como você o toca…
_ Não seja tolo Frederico… Nós precisamos dele aqui! Você sabe muito bem disso…
_ Pra quê meu amor? Ele não pode fazer mais absolutamente nada por nós dois. Tudo que ele precisava fazer, já fez… Foi ele quem nos livrou daquele problema chamado Gean Petrasco que estava indo longe demais com aquela maldita investigação… Mas isso agora é passado: acabou. Não precisamos mantê-lo aqui…
_ Não vamos falar disso agora meu amor. As paredes tem ouvido Frederico!
_ Não tem ninguém em casa Aurea, estamos absolutamente sozinhos. Lembra? Pela primeira vez em muitos anos, estamos sozinhos… Poderia ser diferente se você não insistisse em manter aquele idiota por perto. Aquele inútil que foi capaz de matar alguém por causa de algumas fotografias onde a namorada dele aparecia os beijos com o Gean… Eu juro que eu nunca pensei que seguir o Gean iria me levar aquela cena maravilhosa… E você ainda disse pra mim que não iria resolver seguir o Gean porque ele era todo certinho…
_ O que eu posso fazer se o fraco dele eram as mulheres. Primeiro foi a Debora que nos ajudou e depois foi aquela vadia que você contratou para levá-lo para um motel e depois sumir do mapa. Foi perfeito o nosso plano… O George resolveu todos os nossos problemas de uma só vez: os diamantes nos tiraram da falência e o crime nos livrou da cadeia porque aquele idiota do Gean iria acabar provando que você matou aquele inútil do pai dele… Aquele verme que não aceitou saber do meu amor por você…
_ Só foi uma pena a gente não ter conseguido se livrar de uma vez por todas do Gean. Nem quando ele foi preso e nem dessa última vez que ele resolveu aparecer por aqui. Você poderia pelo menos ter uma pontaria melhor…
_ A culpa foi do George, foi ele quem me atrapalhou… E num primeiro momento eu pensei que tinha realmente acertado, mas aquele idiota fingiu ter morrido…
_ E o outro idiota não te deixou terminar o serviço!
José Frederico encheu novamente as taças e brindaram em meio as muitas gargalhadas que seguiam dando enquanto se deliciavam com todas as suas armações:
_ Mas a gente deu muita sorte, porque se fosse nos dias atuais, o Gean não teria sido condenado… Seria muito fácil provar que era o George naquele vídeo e não o Gean…
_ Só que nada disso importa. Porque ele foi condenado e nós temos os nossos belíssimos diamantes. Não vamos desperdiçar o nosso tempo livre com essa bobagem. Vem cá, vem pra mamãe meu amor…
E os dois se entregaram a uma carícia intensa que deixou George enojado, fazendo com que ele procurasse o banheiro mais próximo onde vomitou seguidamente. O encontro com seu reflexo o deixou frustrado. As lágrimas corriam por sua face e a vontade de gritar era imensa, mas ele conteve-se. Pensou num primeiro momento em fugir dali e num rompante desceu rapidamente as escadas, chegando a abrir as portas da frente, mas estando ali, ficou imóvel…
Alguns segundos foram suficientes para ele recobrar um pouco de sua razão, o que o levou de volta para dentro. Na cozinha ele tomou um copo d’água como quem engole todos os infortúnios que rondam a pele… No escritório ele ficou com suas lembranças, o tiro que matou o atendente na joalheria, o olhar para a câmera para ser flagrado. As fotos de Debora nos braços de Gean, a morte de seu pai antes de tudo isso…
Ele desabou sobre a mesa, esbarrando em uma arma abandonada por ali em meio aos papéis e ao observá-la atentamente, acabou apontando pra si mesma. Fechou os olhos, mas faltou coragem – não era tão fácil assim por fim em tudo aquilo. E isso o fez rir de si mesmo, de forma inusitada…
De posse do telefone ele ligou para Claudia que desligou o telefone tão logo ouviu a voz dele do outro lado. Ela seguia culpando-o pela morte de seu pai e não desejava falar com ele nunca mais. Contudo, George insistiu e diante de seu pranto, Claudia acabou indo ao encontro do amigo na casa da Família Petrasco.
George estava sentado junto a soleira da porta, parecia uma criança desprotegida, desamparada, assustada. Tão logo a viu, se jogou aos pés da amiga implorando por seu perdão. Em meio a um choro desesperado, ele implorava para que ela compreendesse seus motivos, mesmo sendo aparentemente tão difícil fazê-lo.
Claudia ficou preocupada com a atitude de George, que estava completamente fora de si. Forçosamente, ele aceitou ir a cozinha onde tomou um chá feito por ela na tentativa de acalmá-lo:
_ George, o que está acontecendo com você? Eu nunca o vi assim antes…
_ Eu sou um idiota Claudia… Eu não tenho mais nada na vida, eu perdi tudo… Por favor, você é tudo que me resta. Me ajuda…
George abraçou Claudia fortemente. Ela estava assustada com tudo aquilo, não sabia ao certo o que pensar e aproveitando-se do momento de confusão, ele a beijou lentamente, mas ela se afastou “o que esta fazendo George?” e ele a buscou de imediato confessando a ela seu medo de perdê-la, algo que ele não suportaria:
_ Há tempos que eu gosto de você, mas só agora eu percebi isso. Por favor Claudia, não me rejeita… Eu vou me matar se isso acontecer…
Claudia respirou fundo e quando se deu por si já estava completamente envolvida por George que a beijava com sofreguidão, buscando despí-la ali mesmo numa pressa insensata. Mas num rompante, decidiu que ali não seria o melhor lugar, então a conduziu para seu quarto…
Ela pensava consigo mesmo “talvez ele mude a partir desse momento” e como quem tenta justificar o próprio pensamento seguia pensando “o sofrimento sempre ensina alguma coisa pra gente”. E totalmente envolvida por ele, sendo conduzida para o quarto, quase não ouviu a campainha tocar, interrompendo aquele momento dos dois:
_ Quem será?
_ Não sei, mas eu vou ver… Vá indo para o meu quarto e me espere que eu não me demoro…
Claudia sentiu um desconforto estranho, mas conseguiu se reequilibrar e seguir para o quarto enquanto George fora atender a porta. Eram dois policiais, mas George não pareceu surpreso, recebendo-os calmamente. O desespero demonstrado há pouco diante de Claudia havia desaparecido repentinamente:
_ Boa noite senhores, em que posso ajudar?
_ Recebemos uma denúncia há pouco e viemos investigar. Alguém nos ligou dizendo ter ouvido tiros nesta casa…
_ Bem, eu acabo de chegar. Estava subindo para o meu quarto. Tem certeza de que a denúncia foi exatamente daqui?
_ Temos sim senhor. Se incomoda se a gente der uma olhada?
_ Não, de forma alguma. Fiquem a vontade…
Foi então que um grito tomou conta de todo o lugar e logo em seguida vieram os disparos que assustou George e deixou os policiais em alerta:
_ Veio lá de cima… O senhor fique aqui e não faça nenhuma bobagem…
Alguns minutos depois um novo disparo se fez ouvir e em seguida, os policiais desceram trazendo Claudia algemada para espanto de George que não conseguia entender o que estava acontecendo. Em pouco tempo, o local estava ocupado por vários policiais, médicos e muitas outras pessoas que seguiam entrando e saindo daquele lugar…
Levou alguns dias para que a rotina naquela casa voltasse ao normal, mas finalmente veio o silêncio e a tranqüilidade. Os empregados limparam absolutamente tudo e lentamente as coisas foram voltando ao normal. Os corpos de Aurea e Frederico acabaram sendo liberados no final da semana e o enterro aconteceu de forma sombria já que os boatos de envolvimento entre mãe e filho chocaram a todos ao ser noticiado que esse seria o possível motivo do crime cometido por Claudia que acabou sendo indiciada por duplo homicídio culposo.
Em casa, George tratou de se livrar dos pertences da mãe e do irmão. Não queria absolutamente nada deles naquela casa e quando se viu sozinho, sentou-se na velha poltrona de sua mãe e sorriu do alto de sua ironia:
_ George… George… George, mas o que foi que você fez menino?
E do alto de sua ironia ele proferiu uma alta gargalhada típica de quem se diverte com algo muito engraçado…
>> continua…



Gente, esse cara está se superando e a dona Claudia ainda caiu feito um patinho. Mas é besta mesmo. Eu não teria ido até lá de jeito nenhum.
Enfim, ele matou e ela que vai presa. Bem feito…
Lyzandra, eu sempre acreditei que as pessoas gostam de ser enganadas e no caso da Claudia ela quer tanto acreditar que o George um cara legal que se deixou levar…
Não acredito que a doida da Claudia caiu nessa, brincadeira.
Tudo bem, mas nessa família também só o Giani se salva (talvez o pai também) porque o resto está perdido.
E o que foi isso? Mãe e filho na cama, afff.
Esse capítulo superou tudo.
Realmente, a famlia Petrasco bastante complicada.
Cara, alguém me amassa que eu estou passada.
Que capítulo foi esse? Tipo assim: mãe e filhos tendo um caso. Caiu tudo aqui e não há cirurgião plástico que levante. #omeudeus
E a Claudia ainda me caí numa dessas. Ela é louca, ela merece mesmo estar presa, vai ser burra assim no inferno. Eu heim.
Concordo com a Francys, nessa família só se salvou o Giani e talvez o pai.
Lunna, sua trama está muito legal, as coisas se encaixam e claro, surpreendem até os mais bobinhos feio eu. Beijocas
Acho que eu consegui o que eu queria, ao menos o que parece, no? rs
Me amarrota que tô passada!!! =O
Geeeente!!! Que virada!!! :O
Meu queixo deslocou aqui, rsrs.. alguém segura por favor!!!
Que George mais canalha, aproveitou da situação pra matar a mãe e o irmão e jogar a culpa na coitada da Claudia!! Não aguentou ser passado pra trás e ai veio a vingança!!
Essa trama está demaaaais!!!
Beijos, Luuuuuuuu….
*e continuamos os comentários via g-talk!!
No acho a Claudia uma coitada, a bem da verdade ela uma personagem tola, como muitas pessoas. Parece que elas esto l, esperando algum aprontar alguma coisa para elas carem feito um patinho. rs Porque sejamos sinceros, o George muito previsvel e do nada ele veio com aquela conversa mole, beijinhos e tudo mais. Depois de passar a vida falando da Debora, querendo a Debora, chorando pela Debora. Eu heim. rs Beijos
Nossa, que família! Traição, assassinatos, vinganças, até incesto…diante deles até a lady Eva é uma santa! A Claudia é muito trouxa mesmo, cair numa armadilha dessas depois de ver o que ele fez com o pai dela…espero que vai conseguir provar a armação!
Beijos e parabéns, está emocionante.
Eu acho a Cladia uma figura Maria Augusta porque definitivamente ela caiu no golpe do George porque quis. No h como pensar diferente disso. rs Beijos
Lunna, de queixo caído. Absolutamente formidável este capítulo. Surpreendente e ousado. Tudo. Parabéns.
Oi Neiva, s agora estou com tempo para responder os comentrios. A semana est corrida… Ento vamos l, esse um dos meus captulos favoritos porque mostra realmente o quanto o George engenhoso. Ele perde o controle, mas o recupera em seguida j disposto e tramando algo e dessa vez foi a Claudia quem se deu mal graas a ele, mas vem mais confuso por a… Beijos