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Último Capítulo…

 

arte
Depois da comemoração matinal, Debora arrumou-se para uma caminhada, como de costume. Estava pronta para sair quando Antony adentrou o quarto com seu violino. Tinha algo a mostrar, era uma nova composição que deixou sua cúmplice na arte encantada. O sorriso se intensificava a cada nota e assim que o silêncio voltou aquele lugar ela o abraçou intensamente para logo em seguida sentir toda a ternura de um beijo depositado carinhosamente em suas mãos que seguia exibindo a aliança que havia se tornado um símbolo de seu amor por Giani e isso não incomodava Antony que sabia que eles tinham uma outra forma de amar:

_ Você vai caminhar como de costume?
_ Vou, de repente eu encontro um músico na ponte Neuf…
_ Não, ele não estará lá dessa vez porque ele já esteve por lá quando a presença dele era necessária… Foi mais ou menos assim, ele ainda era um garoto cheio de sonhos e ele queria muito ser parte de uma grande orquestra. Ele tocava ali naquela ponte para algumas pessoas, mas quando ele fechava os olhos, o que ele via realmente era um palco… E quando a sua apresentação terminava, lá estava ela, uma artista, linda, delicada, com o olhar melancólico e enternecida pela beleza daquele momento e era como se apenas ela o aplaudisse, ninguém mais… Então ele voltava pra casa e se trancava em seu Studio, onde ele revisitava cada traço daquela face de menina mulher que pareciam notas de uma composição que aos poucos se permitia existir…

Debora sorriu em meio a um suspiro demorado que culminou num beijo doce, ameno nos lábios daquele que seguia sendo um jovem músico e assim seria por todo sempre. Ele era o menino que tocava na Ponte Neuf num final de tarde que poderia muito bem seguir se repetindo ano após ano…

Ela saiu para sua caminhada rotineira, ao seu lado, Eva contava os passos como de costume. Elas não diziam absolutamente nada uma a outra, quando muito apontavam para algo inusitado no meio do caminho, trocavam olhares, sorrisos e voltavam a caminhar. Estavam cada dia mais parecidas uma com a outra e achavam graça disso…

Ali, de volta a uma das mais belas pontes de Paris, elas observavam a paisagem e permitiam que o tempo passasse por entre elas sem que fosse notado. Há um momento na vida em que o tempo já não faz mais diferença alguma. Sabemos que ele existe e isso é tudo:

_ Sua irmã não virá, mas enviou uma carta pela Suzanna. Você notou como o Lucas está cada dia mais parecido com o seu pai? Espero que seja apenas fisicamente…
_ Você não existe Eva e eu já sabia que a Claudia não viria. Ela não tem coragem pra sair daquele “mundinho” que você ajudou a construir… Há coisas em você que eu simplesmente não entendo, como a Claudia por exemplo…
_ Eu tentei, mas tudo que ela queria na vida era um marido, meia dúzia de filhos, uma casa e a comodidade de uma vida desse tipo. Foi o que ela teve…

Debora não levaria aquela conversa adiante, conhecia bem os rumos daquela discussão, enfim, sua irmã tinha a vida que desejava e era feliz assim…  As duas voltaram para casa algumas horas depois e ao adentrar em seu quarto, Eva encontrou sobre a cama aquela pequena escultura de madeira que a deixou boquiaberta. Nenhum bilhete, nenhum dizer, mas não era necessário porque aquele desenho de arte continha todos os sentimentos possíveis e impossíveis. Ele falava por si e não era preciso mais nada.

Dario a encontrou ali, em silencio, observando aquela estranha figura desconexa, cujo detalhe era riquíssimo, mas mesmo assim era estranho:

_ Não é estranho você receber algo tão simples pelo qual você esperou uma vida inteira?
_ Lady Eva, ela é tão linda…  Não me diga que foi a…
_ Não digo e nem você vai dizer porque nós duas temos um acordo, ela não insiste em ser minha filha e eu não preciso me dar ao trabalho de ser mãe dela… Ai Dario, você acha que a minha menina é feliz?
_ Tem dias que eu acho que sim e tem dias que eu acho que não, mas a “nossa menina” sempre me deixou em dúvidas…

Eva respirou fundo e em seguida dirigiu-se para o atelier onde encontrou sua filha adormecida no sofá. Tinha uma expressão sobrea, lúcida, tão indiferente ao mundo. Ela a cobriu como de costume e sentou-se ali para apreciar aquela paisagem, acariciando lentamente o rosto dela, foi então que ela acomodou-se ali e chamou por ele “Giani” para desconforto de Eva que melhor do que ninguém sabia o que representava aquele chamado…

deb e giani Debora estava sonhando com seu amado Giani, estava ela novamente, de volta ao aeroporto a esperar por ele… Olhava para todos os lados tentando encontrá-lo em cada olhar que dela se aproximava. Então lá estava ele para devolver o sorriso ao seu rosto. Ela correu para seus abraços, beijando-o intensamente:

_ Estava começando a achar que não viria…
_ Poucas coisas no mundo me impediriam de estar aqui!
_ Venha ou vamos perder o vôo…

Mas Gean não poderia ir com ela, ele não se moveu, mas também não soltou a mão de Debora que sentiu sua hesitação:

_ O que houve?
_ Eu não posso ir com você…
_ Mas foi o que nós combinamos. O que houve?
_ Não importa o que houve, importa apenas que você precisa continuar… Você está se saindo muito bem meu amor…
_ Isso não é verdade Giani… Vem comigo ou então me leva com você pra onde você você for…
_ Ainda não!

E antes que as lágrimas colorissem aquele belo rosto, ele a tomou em seus braços, beijando-a intensamente como de costume e ela despertou  com o sabor intenso daquele beijo em seus lábios, com o perfume dele nas suas laterais e ali, mais adiante, uma tela exibindo um branco desconfortável que deveria existir por todo o sempre, mas repentinamente o cansaço existente desaparecera e ela buscou por elementos que aos poucos dariam formas inusitadas, contornos precisos e tons inovadores. Ela seguia sendo uma artista e seu amado Giani seguia sendo sua inspiração constante e seria assim enquanto houvesse vida naquelas veias humanas…

Eva que seguia por ali sem ser percebida, ficou a observar sua “menina”  que algumas horas depois estaria em mais um evento exibindo sorrisos tantas vezes ensaiados por ela sendo aplaudida pela beleza do conjunto de sua obra – uma vida inteira exibida em poucas páginas que seriam lidas por muitas pessoas que iram tecer suas próprias opiniões…

E na certa em algum lugar do mundo, alguém iria fechar o livro no final de tudo, abandoná-lo sobre a mesa de canto, buscar por uma xícara de chá e ficar a imaginar o depois, tecendo suas próprias ilusões a respeito de tudo e talvez assim, um reencontro fosse possível porque na arte a continuidade nem sempre depende de quem escreve… Depende do olhar de quem lê, de quem aprecia, de quem se envolve, se emociona e não se conforma com as reticências finais…

 

T h e   E n d.…

 

 

 

debora 2

  1. Outubro 29, 2009 às 5:01 AM | #1

    O final está muito bonito e emocionante mas…acabou-se o que era doce, que pena!
    Só me resta te dar os parabéns pela novela, e te agradecer por nos ter oferecido estes momentos de emoção, uma verdadeira obra de arte.

    Beijos, caríssima, et encore merci!

    • Novembro 9, 2009 às 11:13 AM | #2

      Boa tarde Maria Augusta, desculpe a demora, mas somente hoje estou tendo disposio para leituras…

      O final foi uma pincelada possvel. Acho que finais nunca so agradveis porque cada um espera algo diferente, ento preferi o sonho, o inefvel e a imaginao de cada um finalizando a histria conforme suas prprias iluses…

      Como bem disse o Marco, para ele, ela morreu e reencontrou sua cara metade. Mas para mim no foi isso que aconteceu e claro, para cada leitor um olhar, uma possibilidade…

      Grata pelo seu carinho e por todos os comentrios, sempre um prazer “ler” seu olhar sobre meus escritos, me sinto muito honrada por t-la como leitora (um sorriso enorme aqui)…

      Bacio en tuo cuore

  2. Outubro 29, 2009 às 10:09 AM | #3

    Me emociona sempre que a música continua tocando na alma dos corações humanos, mesmo que algumas interrupções sejam necessárias pelos caminhos árduos e algumas vezes prazerosos, mas sempre em busca do amor. Débora sempre teve o rapaz músico e a sua arte, mesmo que Giani tenha que esperá-la do outro lado… E gostei bastante do final, porque para esta sua leitora e admiradora, de certa forma o amor permaneceu.

    Beijos, querida Lunna, parabéns pela linda história… E que venham outras mais!
    Madá

    • Novembro 9, 2009 às 11:18 AM | #4

      Bom dia Madalena, quase tarde nublada e eu estou aqui a responder os comentrios, ainda que um bom tempo depois… Estive ausente, foi preciso, mas vou retornando aos hbitos virtuais… Agradecendo aos amigos pelas palavras e pelo carinho para com esta histria que deixou saudades em mim. Passou to depressa…

      Enfim, o final foi uma pincelada possvel. Acho que finais nunca so agradveis porque cada um espera algo diferente, ento preferi o sonho, o inefvel e a imaginao de cada um finalizando a histria conforme suas prprias iluses…

      E que bom que voc gostou, seu olhar sempre me permite um sorriso porque voc tem essa magia natural que enxerga coisas que outras pessoas sequer percebem… Grazie

  3. Outubro 29, 2009 às 10:28 AM | #5

    #respirandofundo

    “Depende do olhar de quem lê, de quem aprecia, de quem se envolve, se emociona e não se conforma com as reticências finais…”

    Apenas o silêncio das minhas lágrimas envolto nas suas palavras!!!

    Beijos

    • Novembro 9, 2009 às 11:10 AM | #6

      Um ano depois… A inteno revelar o inevitvel, afinal, no havia como tecer um final que revelasse detalhes. Acho que depende muito de quem l e eu preferi assim: um cenrio de possibilidades muitas…

      Ainda hoje estou sentindo saudades da “Deb” mas no quero ler a histria agora porque preciso me libertar dela. rs

      Beijos carissima

  4. Outubro 31, 2009 às 9:45 PM | #7

    Lunna,

    Que belo! E quão triste! Estou emocionada demais e incapaz de formular um comentário decente.

    Sentirei saudades desta estória tão cheia de reviravoltas. Você é uma escritora realmente excepcional.

    Obrigada por todas as emoções que proporcionou com sua estória. Parabéns e já no aguardo da próxima.

    (ps.: postei um resumo de Etera, para não ficarem sem saber o que aconteceria.)

    Beijos

    • Novembro 9, 2009 às 9:52 AM | #8

      Bom dia Neiva, desculpe a demora em responder, mas estive ausente da net por causa de uma virose. Foi preciso uma pausa e um pouco de ausncia…

      Mas estou voltando ao mundo virtual das coisas e colocando os comentrios/emails/blogs em dia…

      Estive lendo o resumo que voc postou da “nossa histria” (desculpe a liberdade, mas que quando leio algo meio que tomo para mim, j que sou povoada por sensaes e iluses, no caso fornecidas por ti). E fiquei com a sensao de “compasso de espera”… Ento espero que em breve eu possa degustar mais as iluses que florescem em ti…

      Quanto a minha novela, acho que a virose foi uma espcie de consequncia natural. Sempre fico um pouco deprimida quando a palavra fim vem ao meu encontro. Gostava muito da Debora e no t-la mais aqui me deixou rf. Eu sei que isso insano, mas sou um pouco insana mesmo. No tem jeito…

      Ao escrever o final, eu pensei um pouco nas coisas que dissemos por e-mail, na magia, no especial e teci um final onde os sonhos ajudam a diminuir a distncia imposta a Debora. Ela de certa forma est em compasso de espera, eu acho…

      Grata pelo seu carinho. Beijos

  5. Adriana Costa
    Novembro 1, 2009 às 2:54 PM | #9

    Minha linda,
    Escreves de forma tão inspirada e envolvente que durante a leitura me senti com um livro nas mãos. Fiz a leitura em duas etapas (sou muito ansiosa para ficar aguardando capítulo por capítulo! rsrs), mas as surpresas, as reviravoltas, a trama enfim, me deixou encantada e emocionada várias vezes.
    Os segredos de família, os pecados e castigos de cada um, tudo muito bem elaborado; personagens críveis que cativam e transportam o leitor para a realidade deles, deixando-nos ora felizes, ora chateados; ilustrações que ajudam a antecipar as possibilidades, mas sem interferir na imprevisibilidade do que está por vir.
    Tua novela é um conto de fadas moderno, mesmo que seja indesejável a morte de “Giani”, outras surpresas deixam uma sensação de infinitas possibilidades para sentimentos positivos, a tristeza e suas compensações estão presentes equilibrando o drama e dando um sabor de excelente literatura.
    Parabéns pela linda obra!
    Beijinhos e obrigada pelo prazer da leitura.

    E claro, muitas flores! @}—

    • Novembro 9, 2009 às 12:06 PM | #10

      Oi Dri, tudo bem com vc? Desculpe a demora em responder, mas apenas hoje estou tendo tempo para faz-lo. Entrei para o grupo que fica acamado por causa de viroses, mas j estou melhor e voltando a normalidade…

      Que delcia visitar seu olhar sobre minha histria, grata pela sua anlise e pelo envolvimento com a trama. Beijos

      Ento no consegues ler

  6. Novembro 3, 2009 às 8:06 AM | #11

    Poxa, uma pena que acabou! Fechando o livro e divagando! C’est la vie!!

    • Novembro 9, 2009 às 12:12 PM | #12

      O bom de se fechar um livro a sensao que surge em ns depois. Eu adoro isso… Bjs

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