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	<title>Tudo é História...</title>
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		<title>&#218;ltimo Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 04:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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     Depois da comemoração matinal, Debora arrumou-se para uma caminhada, como de costume. Estava pronta para sair quando Antony adentrou o quarto com seu violino. Tinha algo a mostrar, era uma nova composição que deixou sua cúmplice na arte encantada. O sorriso se intensificava a cada nota e assim que o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=671&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#160;</p>
<p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/arte.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="arte" border="0" alt="arte" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/arte_thumb.jpg?w=480&#038;h=301" width="480" height="301" /></a>     <br />Depois da comemoração matinal, Debora arrumou-se para uma caminhada, como de costume. Estava pronta para sair quando Antony adentrou o quarto com seu violino. Tinha algo a mostrar, era uma nova composição que deixou sua cúmplice na arte encantada. O sorriso se intensificava a cada nota e assim que o silêncio voltou aquele lugar ela o abraçou intensamente para logo em seguida sentir toda a ternura de um beijo depositado carinhosamente em suas mãos que seguia exibindo a aliança que havia se tornado um símbolo de seu amor por Giani e isso não incomodava Antony que sabia que eles tinham uma outra forma de amar:</p>
<p>_ Você vai caminhar como de costume?    <br />_ Vou, de repente eu encontro um músico na ponte Neuf…     <br />_ Não, ele não estará lá dessa vez porque ele já esteve por lá quando a presença dele era necessária… Foi mais ou menos assim, ele ainda era um garoto cheio de sonhos e ele queria muito ser parte de uma grande orquestra. Ele tocava ali naquela ponte para algumas pessoas, mas quando ele fechava os olhos, o que ele via realmente era um palco… E quando a sua apresentação terminava, lá estava ela, uma artista, linda, delicada, com o olhar melancólico e enternecida pela beleza daquele momento e era como se apenas ela o aplaudisse, ninguém mais… Então ele voltava pra casa e se trancava em seu Studio, onde ele revisitava cada traço daquela face de menina mulher que pareciam notas de uma composição que aos poucos se permitia existir…</p>
<p>Debora sorriu em meio a um suspiro demorado que culminou num beijo doce, ameno nos lábios daquele que seguia sendo um jovem músico e assim seria por todo sempre. Ele era o menino que tocava na Ponte Neuf num final de tarde que poderia muito bem seguir se repetindo ano após ano…</p>
<p>Ela saiu para sua caminhada rotineira, ao seu lado, Eva contava os passos como de costume. Elas não diziam absolutamente nada uma a outra, quando muito apontavam para algo inusitado no meio do caminho, trocavam olhares, sorrisos e voltavam a caminhar. Estavam cada dia mais parecidas uma com a outra e achavam graça disso…</p>
<p>Ali, de volta a uma das mais belas pontes de Paris, elas observavam a paisagem e permitiam que o tempo passasse por entre elas sem que fosse notado. Há um momento na vida em que o tempo já não faz mais diferença alguma. Sabemos que ele existe e isso é tudo:</p>
<p>_ Sua irmã não virá, mas enviou uma carta pela Suzanna. Você notou como o Lucas está cada dia mais parecido com o seu pai? Espero que seja apenas fisicamente…    <br />_ Você não existe Eva e eu já sabia que a Claudia não viria. Ela não tem coragem pra sair daquele “mundinho” que você ajudou a construir… Há coisas em você que eu simplesmente não entendo, como a Claudia por exemplo…     <br />_ Eu tentei, mas tudo que ela queria na vida era um marido, meia dúzia de filhos, uma casa e a comodidade de uma vida desse tipo. Foi o que ela teve…</p>
<p>Debora não levaria aquela conversa adiante, conhecia bem os rumos daquela discussão, enfim, sua irmã tinha a vida que desejava e era feliz assim…&#160; As duas voltaram para casa algumas horas depois e ao adentrar em seu quarto, Eva encontrou sobre a cama aquela pequena escultura de madeira que a deixou boquiaberta. Nenhum bilhete, nenhum dizer, mas não era necessário porque aquele desenho de arte continha todos os sentimentos possíveis e impossíveis. Ele falava por si e não era preciso mais nada. </p>
<p>Dario a encontrou ali, em silencio, observando aquela estranha figura desconexa, cujo detalhe era riquíssimo, mas mesmo assim era estranho:</p>
<p>_ Não é estranho você receber algo tão simples pelo qual você esperou uma vida inteira?    <br />_ Lady Eva, ela é tão linda…&#160; Não me diga que foi a…     <br />_ Não digo e nem você vai dizer porque nós duas temos um acordo, ela não insiste em ser minha filha e eu não preciso me dar ao trabalho de ser mãe dela… Ai Dario, você acha que a minha menina é feliz?     <br />_ Tem dias que eu acho que sim e tem dias que eu acho que não, mas a “nossa menina” sempre me deixou em dúvidas… </p>
<p>Eva respirou fundo e em seguida dirigiu-se para o atelier onde encontrou sua filha adormecida no sofá. Tinha uma expressão sobrea, lúcida, tão indiferente ao mundo. Ela a cobriu como de costume e sentou-se ali para apreciar aquela paisagem, acariciando lentamente o rosto dela, foi então que ela acomodou-se ali e chamou por ele “<strong>Giani”</strong> para desconforto de Eva que melhor do que ninguém sabia o que representava aquele chamado…</p>
<p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debegiani.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="deb e giani" border="0" alt="deb e giani" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debegiani_thumb.jpg?w=446&#038;h=280" width="446" height="280" /></a> Debora estava sonhando com seu amado Giani, estava ela novamente, de volta ao aeroporto a esperar por ele… Olhava para todos os lados tentando encontrá-lo em cada olhar que dela se aproximava. Então lá estava ele para devolver o sorriso ao seu rosto. Ela correu para seus abraços, beijando-o intensamente:</p>
<p>_ Estava começando a achar que não viria…    <br />_ Poucas coisas no mundo me impediriam de estar aqui!     <br />_ Venha ou vamos perder o vôo…</p>
<p>Mas Gean não poderia ir com ela, ele não se moveu, mas também não soltou a mão de Debora que sentiu sua hesitação:</p>
<p>_ O que houve?    <br />_ Eu não posso ir com você…     <br />_ Mas foi o que nós combinamos. O que houve?     <br />_ Não importa o que houve, importa apenas que você precisa continuar… Você está se saindo muito bem meu amor…     <br />_ Isso não é verdade Giani… Vem comigo ou então me leva com você pra onde você você for…     <br />_ Ainda não!</p>
<p>E antes que as lágrimas colorissem aquele belo rosto, ele a tomou em seus braços, beijando-a intensamente como de costume e ela despertou&#160; com o sabor intenso daquele beijo em seus lábios, com o perfume dele nas suas laterais e ali, mais adiante, uma tela exibindo um branco desconfortável que deveria existir por todo o sempre, mas repentinamente o cansaço existente desaparecera e ela buscou por elementos que aos poucos dariam formas inusitadas, contornos precisos e tons inovadores. Ela seguia sendo uma artista e seu amado Giani seguia sendo sua inspiração constante e seria assim enquanto houvesse vida naquelas veias humanas…</p>
<p>Eva que seguia por ali sem ser percebida, ficou a observar sua “menina”&#160; que algumas horas depois estaria em mais um evento exibindo sorrisos tantas vezes ensaiados por ela sendo aplaudida pela beleza do conjunto de sua obra – uma vida inteira exibida em poucas páginas que seriam lidas por muitas pessoas que iram tecer suas próprias opiniões…</p>
<p>E na certa em algum lugar do mundo, alguém iria fechar o livro no final de tudo, abandoná-lo sobre a mesa de canto, buscar por uma xícara de chá e ficar a imaginar o depois, tecendo suas próprias ilusões a respeito de tudo e talvez assim, um reencontro fosse possível porque na arte a continuidade nem sempre depende de quem escreve… Depende do olhar de quem lê, de quem aprecia, de quem se envolve, se emociona e não se conforma com as reticências finais…</p>
<p><font color="#400000" size="7" face="Benegraphic"></font></p>
<h1 align="center"><font color="#400000" size="7" face="Benegraphic"></font></h1>
<h1 align="center"><font color="#400000" size="7" face="Benegraphic"></font></h1>
<p align="center">&#160;</p>
<h1 align="center"><font color="#400000" size="7" face="Benegraphic">T h e&#160;&#160; E n d</font><font color="#400000" size="7" face="Benegraphic">.…</font></h1>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debora2.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="debora 2" border="0" alt="debora 2" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debora2_thumb.jpg?w=494&#038;h=311" width="494" height="311" /></a></p>
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		<title>Trig&#233;simo Nono Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 11:15:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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Crédito da Imagem. Catarina Cardoso
&#160;
Debora voltou ao Rio depois de sete anos distante – mas sua volta tinha um propósito, ela precisava confirmar o conteúdo daquela carta e só havia uma maneira de ter certeza que aqueles fatos eram verdadeiros…

Ela foi para Petrópolis acompanhada de uma equipe contratada por Eva que também foi até [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=664&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debora.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="debora" border="0" alt="debora" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/debora_thumb.jpg?w=480&#038;h=301" width="480" height="301" /></a> </p>
<p align="center"><a href="http://catarinacardoso.deviantart.com/art/impressao-digital-65501591"><strong>Crédito da Imagem. Catarina Cardoso</strong></a></p>
<p>&#160;</p>
<blockquote><p>Debora voltou ao Rio depois de sete anos distante – mas sua volta tinha um propósito, ela precisava confirmar o conteúdo daquela carta e só havia uma maneira de ter certeza que aqueles fatos eram verdadeiros…
</p>
<p>Ela foi para Petrópolis acompanhada de uma equipe contratada por Eva que também foi até lá… A busca durou algumas horas, minutos infindáveis para quem busca acreditar com todas as forças que tudo não passa de um pesadelo do qual se pode acordar a qualquer momento… Em sua mente, as lembranças do sorriso nos lábios de Gean, a saudade do toque, do enlace, as carícias, a ânsia por se deixar pertencer a alguém sem restrições… Ela preferia acreditar que ele havia desistido dela, que estava em algum lugar e que um dia haveria uma justificativa absurda para ele não ter ido ao seu encontro no aeroporto…</p>
<p>Mas então o fim desenhou-se diante de seus olhos, um corpo foi retirado das águas daquele lago e o ar pareceu faltar-lhe naquele instante “<strong>não, por favor não</strong>” disse ela a si mesmo já se dirigindo para próximo do local onde estava sendo colocado o corpo… Mas Eva não permitiu:</p>
<p>_ Você não quer guardar essa imagem dele. Não é o homem que você conheceu que está lá Debora… Não faça isso com você…      <br />_ Você não entende, eu preciso ter certeza que é ele…       <br />_ Não, você não precisa porque bem lá no fundo você sabe. Ele não te deixaria esperando naquele aeroporto se algo assim não tivesse acontecido…</p>
<p>Debora interrompeu seu caminhar, voltando o olhar para sua mãe, sua pele exibia uma estranha forma de cansaço, faltava forças naqueles músculos desorientados. Lágrimas silenciosas percorriam a face anestesiada que exibiam claramente o sofrimento que havia ali naquele corpo…</p>
<p>Eva apenas abriu os braços para confortar a filha que desabou em seus ombros e ali ficou, aninhada por alguns segundos que pareciam ilustrar uma breve forma de eternidade:</p>
<p>_ Me diz o que eu faço Eva… Aquele desgraçado vai sair da cadeia e eu sei que ele irá atrás de mim. Eu sei disso. Eu juro que eu o mato se ele tentar fazer alguma coisa com os meus filhos…      <br />_ Não se preocupe com isso Debora. Ele não vai atrás de você, nem que seja a última coisa que eu faça na vida, eu não vou permitir isso. É uma promessa…</p>
<p>Eva acariciou o rosto exausto de sua filha e desejou em seu íntimo que todas aquelas coisas fossem diferentes. Ela faria qualquer coisa para não assistir todo aquele sofrimento desnecessário, absurdo pelo qual Debora estava passando, mas ao menos ela sabia que seria possível ao menos evitar que fosse pior…</p>
<p>Debora respirou fundo na tentativa de recuperar um pouco de sua lucidez, afinal, o que sua mãe poderia fazer com relação aquele “rato”? Por fim, Debora conversou com a pessoa responsável pela busca que lhe informou que seriam necessários exames para confirmar a identidade do corpo. O resultado dos exames demoraria alguns dias para sair e diante da constatação, ela voltou-se para o interior do chalé onde encontrou resquícios de sua própria história: a mochila cuidadosamente arrumada para viagem… Sua guitarra em pé ao lado da cama que na certa também seguiria com ele, sua velha jaqueta de couro que ele usou boa parte de sua vida, a maleta com a câmera fotográfica e um envelope onde estavam as fotografias que ele havia tirado de Debora naquele semana em que estiveram por ali e uma caixinha onde havia uma linda aliança que depois de ser cuidadosamente observada, foi colocada por ela em seu dedo:</p>
<p>_ Não faz isso Debora… Vamos embora daqui.      <br />_ Eu vou sim, mas isso tudo vai comigo&#8230;       <br />_ Você não precisa de nada disso!       <br />_ Essas coisas são a única lembrança que o Mateus e o Giani vão ter do pai deles, são eles quem devem decidir se querem ou não… Como a vida é irônica. Eu recusei três pedidos de casamento porque eu só tinha espaço pra arte na minha vida…       <br />_ Debora, minha filha, é isso que você é: uma artista!       <br />_ Não mãe, isso é que eu fui… Além do mais, eu teria dito sim a ele!</p>
</blockquote>
<p>E ali, diante de Françoise que seguia espiando suas reações e aguardando por uma resposta, Debora respirou fundo ao voltar a si:</p>
<p>_ Eu nunca vou saber dizer o que eu senti naquele momento Françoise, parte de mim sabia, mas havia uma outra parte que se recusava a saber, então sempre houve a possibilidade de um engano… A carta que o George escreveu só serviu para uma coisa realmente e o mais engraçado é que ele achou que estava tirando algo de mim quando na verdade, ele estava me devolvendo o que ele havia tirado anos antes…    <br />_ Entendo…     <br />_ Eu vou ler o livro mais tarde, há uma coisa que eu comecei que eu preciso terminar… Desculpe-me…     <br />_ Imagina Debora, se alguém precisa se desculpar aqui, esse alguém sou eu. É que eu precisava perguntar ou passaria a minha vida toda esperando pela resposta que só você poderia me dar. Merci. </p>
<p>Debora se dirigiu ao seu atelier, onde dedicou-se a uma peça que estava entalhando há dias. Era um presente que tinha anos de atraso e que aos poucos começava a ganhar forma, traços, retas. Um desenho inusitado, que não exibia pressa alguma por existir.</p>
<p>E mais uma vez aconteceu uma interrupção, Mateus e Giani entraram silenciosamente no atelier e abraçaram a mãe que naquele dia completava seus sessenta anos, mas eles podiam interrompê-la a qualquer momento, sem aviso ou cerimônias:</p>
<p>_ Pensei que não viessem…    <br />_ Até parece, acha mesmo que a gente iria perder um momento desses? Além do mais, temos surpresas pra você…     <br />_ Eu começo a achar que eu deveria fazer sessenta anos mais vezes na vida!     <br />_ Duvido que você pense isso mama, afinal, não é você mesma quem diz que as coisas boas da vida a gente aproveita uma só vez para depois sentir o sabor pela eternidade a fora? Se eu não me engano, eu cresci ouvindo isso…</p>
<p>Giani estava cada vez mais parecido com seu pai, ele estudava música, tinha uma sensibilidade gostosa e estava enamorado por uma menina que era vocalista de uma das bandas para a qual ele tocava. A guitarra de Gean acabou ficando com ele, embora fosse pouco usada, ela permanecia em seu velho quarto que era para onde ele sempre voltava nas férias ou quando tinha tempo. Gostava de acomodar-se no sofá, deitando nas pernas de sua mãe enquanto ela acariciava seus cabelos até que ele adormecesse. Gean um dia havia feito isso…</p>
<p>Mateus herdara a câmera do pai, a levava consigo pra cima e pra baixo. Já havia feito milhares de fotos com ela e as vezes, mesmo de posse de equipamentos modernos, era com ela que ele fazia as melhores fotos. </p>
<p>Mateus e Giani levaram Debora para a sala onde estavam alguns amigos mais próximos que não iriam comemorar aquele momento em meio a tantos estranhos. Um pequeno bolo, velas, um sorriso pintado com ajuda de muitas mãos… O abraço de Dário, o mais demorado dentre todos… Um beijinho carinhoso de Antony… O olhar a distância de Eva que causou um sorriso ameno típico do silêncio que existia entre elas… A surpresa de Suzanna que havia chegado há pouco na companhia de Eduardo, seu marido, Lucas, o irmão caçula de Debora que já estava bem mais alto que ela e Heloísa, a filha dela com Eduardo… Pierre entregou a ela algumas fotografias que não haviam sido selecionadas para o livro e ganhou uma breve carícia no rosto e de Françoise ganhou um olhar adocicado típico de quem admira a mulher que ela havia “<strong>desenhado</strong>” nos últimos meses e um aperto de mãos de quem descobriu uma nova amiga nas entrelinhas de toda aquela história…</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Oitavo Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 04:31:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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		<description><![CDATA[     Françoise chegou a casa de Debora bem cedo. Trazia consigo alguns exemplares do livro finalizado para o olhar atento de Eva e Dário, mas fundamentalmente para o olhar de Debora que parecia um tanto indiferente aquele trabalho, mas foi gentil ao receber Françoise em seu atelier, lugar que poucas pessoas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=661&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image19.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb19.png?w=402&#038;h=271" width="402" height="271" /></a>    <br /> Françoise chegou a casa de Debora bem cedo. Trazia consigo alguns exemplares do livro finalizado para o olhar atento de Eva e Dário, mas fundamentalmente para o olhar de Debora que parecia um tanto indiferente aquele trabalho, mas foi gentil ao receber Françoise em seu atelier, lugar que poucas pessoas tinham acesso e lá ela ficou a esperar por algum comentário. A capa trazia uma fotografia antiga de Debora: era o olhar de “Giani” sobre sua pele numa tarde nublada enquanto ela se dedicava a arte num antigo casarão na cidade do Rio de Janeiro. </p>
<p>Françoise havia assinalado algumas páginas que ela queria que Debora saboreasse com atenção e foi o que ela fez. O sorriso foi e voltou inúmeras vezes daquela face tranquila que exibia uma curiosa forma de lucidez. Os óculos foram cuidadosamente abandonados sobre a mesinha ao lado do sofá onde ela estava sentada e então ela voltou-se para Françoise que não escondia a ansiedade:</p>
<p>_ O que espera que eu diga Françoise?    <br />_ Se gostou ou não? Se era isso que tinha em mente? Ou se não era nada disso…     <br />_ Bem, você sabe que eu não tinha absolutamente nada em mente desde o começo. Esse projeto era seu em parceria com a Eva, eu fui apenas o objeto de pesquisa…     <br />_ Por falar em pesquisa, preciso te devolver algumas coisas…</p>
<p>Françoise entregou alguns cadernos, livros e uma carta cuidadosamente guardada em um plástico para não deteriorar o papel. Debora respirou fundo, exibindo um sorriso amarelecido ao pegar de volta aquela carta, que sem cuidado algum ela tirou de dentro do plástico, dobrando com descaso e deixando ali sobre a mesa. Françoise observou atentamente cada gesto, cada movimento a partir do contado dela com a tal carta que narrava um desfecho injusto, pouco humano, nada agradável de uma linda história que deveria ter tido mais capítulos, outros tantos cenários, mas que terminou ali, sem aviso, de forma precipitada:</p>
<p>_ Eu quero te perguntar isso desde o momento em que eu li essa carta, mas não tive coragem porque eu sei que não deve ser fácil pra você, mas eu não consegui imaginar o que você sentiu ao ler essa carta e saber de tudo que aconteceu…</p>
<p>Debora respirou fundo, abaixando lentamente sua cabeça como quem espia a si mesmo num passado distante. E lá estava ela, voltando da faculdade, em uma tarde agradável, a bicicleta ficou do lado de fora porque ela ainda pretendia sair, mas antes de entrar em casa, o carteiro a abordou. Um rápido aceno, um sorriso ligeiro e a correspondência foi entregue, apenas uma carta cujo destino era uma lembrança nebulenta e já há muito esquecida: George Petrasco… Depois de todos aqueles anos, ele ousava novamente procurá-la. A carta inicialmente fora esquecida sobre o móvel de entrada. Ela não queria notícias daquele homem – mal sabia ela que não era a primeira vez que ele escrevia, Dário não permitia que as cartas escritas por ele chegassem as mãos de sua amiga, preservando-a, mas naquele dia, quis o destino que ele estivesse ausente, brincando com os meninos no parquinho…</p>
<p>Debora trocou de roupas, preparou um chá e enquanto esperava, acabou decidindo abrir o tal envelope e lá estavam as palavras “meigas” de George:</p>
<blockquote><p><em><font color="#000040"><strong>Debora querida…            <br />Os dias não estão sendo fáceis pra mim, mas eu tenho suportado tudo isso porque sei que é preciso. Estou sendo comportado, o que significa dizer que irei ficar pouco tempo aqui nesse lugar. Eu conto os dias pra te ver, enquanto isso imagino como será nossa vida aí em Paris… Eu queria muito vê-la, sentir o seu perfume, tocar sua pele, beijar tua boca. Quanta saudade eu tenho em mim, mas eu tento me convencer que falta pouco pra isso.</strong></font></em></p>
<p><em><font color="#000040"><strong>Por que não me escreve? Uma palavra sua já seria o bastante… Não soube de novas exposições suas, o que me fez pensar que talvez ainda haja um problema para ser resolvido e sendo assim, preciso dizer-te o que fiz para que esteja livre de forma definitiva pra mim da mesma forma que eu estarei livre pra você em breve…</strong></font> </em></p>
</blockquote>
<p>Debora respirou fundo, parecia não acreditar em todas aquelas bobagens escritas ali. A interrupção da leitura a fez voltar a xícara de chá que ainda estava muito quente e ela se acostumou a bebericar o chá numa temperatura amena. Para tal, abriu as janelas, deixando uma brisa suave entrar e ali, meio a si mesma sentiu uma enorme saudade de Giani, o que a fez voltar a ler a carta escrita por George e conforme lia, uma perplexidade crescia em seu olhar, em seus gestos. Uma lágrima percorreu sua face e a carta foi ao chão. As mãos tremulas cobriram a boca e ela tentava sustentar sua credibilidade, mas já não parecia mais ser possível, não diante daquelas palavras absurdas.</p>
<p>Anoiteceu sem que ela percebesse e Dário voltou com as crianças. Debora estava ali, sentada no sofá, no escuro, com o olhar distante. Moveu-se apenas quando viu seus meninos a quem abraçou fortemente:</p>
<p>_ A gente ficou esperando por você, por que não foi?    </p>
<p>Dário reconheceu o envelope sobre a mesinha e viu a folha abandonada ali no chão e incomodou-se seriamente. Depois de tanto tempo sem dar notícias, ele achava que George havia desistido, mas não, lá estava mais uma de suas cartas absurdas, com dizeres desagradáveis. Ele só havia lido uma ou duas, depois de algum tempo passou a rasgá-la sem ler seu conteúdo. </p>
<p>Debora estava visivelmente fragilizada e a carta deveria ser a razão. Ela subiu como os meninos sem dizer praticamente nada. Estava em silêncio, apenas ouvia os dizeres eufóricos dos meninos que seguiam narrando suas aventuras no parque. Dário esperou que ela subisse para buscar pela folha e saber o que dizia George naquela maldita carta. Como de costume, o começo cheio de um blá blá blá atormentado, mas então Dário também vestiu-se de perplexidade:</p>
<blockquote><p><em><font color="#000040"><strong>Minha amada Debora, no dia em que embarcou para Paris, eu estive em Petrópolis, fui ver o meu irmão gêmeo e tentar fazê-lo entender que você era minha e que nós dois iríamos ficar juntos. Mas o Gean sempre foi teimoso e sempre se achou mais importante do que realmente era. Ele riu na minha cara quando eu falei a ele do nosso amor. E a risada dele me fez ter certeza do que era preciso fazer. Eu estava preparado, aliás, há anos eu esperava por aquele momento porque há muito eu deveria ter posto um ponto final naquele que era o meu maior tormento. Não era possível existir dois de nós…</strong></font></em></p>
<p><font color="#000040"><strong><em>Nós brigamos e por pouco ele não me vence, mas pela primeira vez na vida eu fui mais forte. E lá estava ele no chão e eu em pé com a arma apontada para seu peito. Foi apenas um tiro, preciso, certeiro. Ele deve ter sentido muita dor, mas ainda teve tempo de chamar por você antes do último suspiro. Foi uma cena impressionante. O último suspiro de um homem é realmente incrível… </em><em>A vida acaba e sobra só aquele corpo pesado que eu arrastei pra fora e joguei no lago. Deve estar lá ainda hoje porque eu tomei todos os cuidados necessários pra que ele não voltasse… Eu não o queria importunando nós dois novamente.</em></strong></font></p>
<p><font color="#000040"><strong><em>Eu ia te contar naquele dia mesmo, mas durante a nossa conversa, eu me dei conta que você precisava se decepcionar com ele também, por isso aquele papel em branco, significando o vazio que ele deveria representar&#8230; Eu sei que você deve ter sofrido muito com a ausência dele, mas a culpa não foi minha… </em><em>Me perdoe, mas era preciso. Só assim você estaria pronta para nós dois!</em></strong></font></p>
<p><em><font color="#000040"><strong>Agora que sabe a verdade, você está livre pra mim…</strong></font></em></p>
<p><em><font color="#000040"><strong>Com amor e seu eternamente:            <br />George</strong></font></em></p>
</blockquote>
<p>&#160;</p>
<p>Dário estava pasmo, subiu as escadas de forma apressada, nem mesmo chegou a ver os degraus, encontrou Debora ajudando os meninos que seguiam tagarelando sobre suas aventuras e ela seguia disfarçando bem a sua dor, o seu destempero. Ele quis intervir, mas ela não permitiu. Cuidou de Mateus e Giani, jantou com eles e tão logo eles adormeceram, se trancou em seu atelier… Anos depois de sua volta, ela se viu ali, diante daquela arte inacabada, crua que seguia esperando por uma notícia de seu “Giani” para ser algo finalmente. </p>
<p>A lembrança de beijos voltaram aos seus lábios, o toque na pele, as sensações de antes e depois, o olhar amendoado cruzando com o dela. A saudade multiplicou-se rapidamente e agora seria apenas isso que existiria por todo o sempre… Não haveria mais a possibilidade da surpresa ao abrir da porta, de um encontro repentino ao virar de uma esquina ou ao atravessar de uma rua. Ele não havia desistido ou mudado de idéia, ele apenas não pôde estar lá…</p>
<p>O silêncio de sua arte chegou ao fim ali naquele momento, em meio a dor que instalou-se em sua alma. Ela rasgou os plásticos que envolviam as telas, as esculturas de forma abrupta e ficou dias inteiros lá, sozinha, transformando sua dor, seu silêncio em arte…</p>
<p>Até aquele momento, Mateus e Giani sabiam apenas que a mãe deles era uma artista plástica, mas não tinham idéia do que isso significava…   </p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo S&#233;timo Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 06:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
				<category><![CDATA[De corpo e alma]]></category>
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		<description><![CDATA[     Dario e Eva seguiam cuidando dos últimos preparativos para aquela festa, tudo tinha que estar absolutamente perfeito, era uma exigência dos dois que conferiam detalhe por detalhe enquanto ambos pareciam dispersos em suas próprias lembranças…
Dario lembrava-se do reencontro com sua Lady Eva anos antes no aeroporto quando fui buscá-la. Ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=651&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image17.png"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb17.png?w=508&#038;h=347" width="508" height="347" /></a>     <br />Dario e Eva seguiam cuidando dos últimos preparativos para aquela festa, tudo tinha que estar absolutamente perfeito, era uma exigência dos dois que conferiam detalhe por detalhe enquanto ambos pareciam dispersos em suas próprias lembranças…</p>
<p>Dario lembrava-se do reencontro com sua Lady Eva anos antes no aeroporto quando fui buscá-la. Ele mesmo parecia não acreditar que ela finalmente tinha vindo visitá-lo, mas lá estava ela, de corpo e alma na bela Paris que ele fez questão de apresentar a ela…</p>
<blockquote><p>A proximidade entre eles era algo natural, espontâneo, mas Dario não estava preparado para as surpresas que aquele relacionamento traria ao seu cotidiano. O mais difícil de tudo foi admitir que estava apaixonado por Eva, afinal, ele não poderia amar uma mulher:</p>
<p>_ Quer prestar atenção no que eu estou te falando… Não é pra você rir, o assunto é sério. Seríssimo Deb. Eu sou gay, lembra?      <br />_ Eu acho que eu tenho uma vaga lembrança quanto a isso…       <br />_ Deb…</p>
<p>Quanto mais apavorado Dario ficava, mais Debora achava graça daquela situação. Há tempos que ela havia percebido que havia algo mais entre aquelas duas criaturas tão distintas e tão próximas ao mesmo tempo:</p>
<p>_ Você tem que concordar comigo Debora. Isso não é possível…      <br />_ Se você quer que eu concorde com você, tudo bem. Eu concordo, mas isso não vai ajudar em nada Dario…       <br />_ Cherry, não fale assim comigo!       <br />_ Desculpe papa…       <br />_ Deb…</p>
<p>Era a primeira vez em anos que Dario via um sorriso aberto nos lábios de sua amiga e por pouco não esqueceu-se de suas insanidades para festejar aquele momento. Ela havia se tornado uma figura séria demais, que pouco sorria e estava sempre com o olhar ao longe. Não era triste mas aquela era sua nova forma de serenidade:</p>
<p>_ Dario, não se prenda a bobagens. Não dê a mínima para rótulos. Não diga eu sou isso ou aquilo, apenas viva o que você está sentindo. É só isso que importa. Está bem?</p>
<p>Diante daquele argumento, Dario entregou-se aquele sentimento novo, que parecia antigo e que estava ali entre eles. Durante um passeio pela boa e velha Paris, os dois foram vistos juntos pelos pais de Dario que há anos não falavam com ele e a idade de Eva causou pânico na mãe do rapaz “<strong>mas ela tem idade para ser mãe dele, quiçá avó</strong>” mas tal visão levou conforto ao pai dele que seguia imerso as suas formas de preconceitos “<strong>isso não importa, o importante mesmo é que é uma mulher</strong>”…</p>
<p>E eles voltaram a se falar depois daquele dia, muito embora a mãe de Dario não aceitava muito bem a relação de seu filho com uma mulher tão mais velha que ele. Achava um absurdo, mas não havia como negar que eles se completavam de uma forma inusitada…</p>
</blockquote>
<p>Eva que seguia conferindo a perfeição dos cristais, percebeu a distração de “<strong>seu menino</strong>” que era como sempre o chamava. Ele a fazia rir o tempo todo e sempre conseguia fazê-la esquecer da idade que vivia em sua pele:</p>
<p>_ Você não acha um absurdo eu ter uma filha com sessenta anos?    <br />_ Claro que não, é perfeito. Você é uma Lady e ela uma Milady…     <br />_ Pois eu sigo achando isso um absurdo!     <br />_ Pra cima de mim Lady Eva, eu sei que você está toda orgulhosa, quase não se cabe em si e sei que lá no fundo você seria capaz de fazer qualquer coisa pela Debora porque você a ama…</p>
<blockquote><p>Eva respirou fundo ao lembrar-se da tarde que decidiu viajar para Paris, ela tinha acabado de ver a notícia sobre a condicional de George no jornal e resolveu ir a casa da Família Petrasco com as malas prontas, certa de que ele estaria pronto para embarcar rumo a Paris e isso pedia uma comemoração. Ele por sua vez não a recebeu bem, não a queria por perto e não entendia porque razão ela estava ali em sua casa:</p>
<p>_ Eu vim comemorar com você George, afinal, todos os seus planos deram certos e agora você vai colher os louros, finalmente… Eu vim aqui fazer um brinde a isso e aproveitar para viajar com você…</p>
<p>A idéia pareceu absurda, mas diante da insistência de Eva, ele foi buscar o champanhe enquanto Eva providenciou as taças para o brinde. O estouro, o líquido borbulhante preenchendo a taça e finalmente o brinde:</p>
<p>_ Eu tenho que dizer que você foi genial George, nem eu teria feito algo assim de forma tão perfeita. Eu fico imaginando essa sua mente elaborando meticulosamente cada detalhe. Coisa de gênio… Aquela carta que você enviou para a Debora sete anos depois foi uma jogada de mestre. Como pensou nisso?      <br />_ Foi muito simples, se eu não escrevesse aquela carta, ela nunca estaria pronta pra mim. O Gean continuaria nas nossas vidas e nada do que eu fiz teria resolvido. Eu soube da exposição na França, depois na Alemanha, em Londres… Eu soube de tudo… Aquela carta a libertou e a deixou pronta pra mim…       <br />_ Você é um gênio George Petrasco!</p>
<p>Os dois seguiram lado a lado para o aeroporto, passagem em mãos, mesmo vôo, última chamada e a caminho do portão de embarque George sentiu-se mal, uma forte dor no peito, dificuldade de respirar… </p>
<p>_ Você está bem George?      <br />_ O que foi que você fez?       </p>
<p>Ele ainda se apoiou em Eva numa tentativa vã de entender o que estava acontecendo. Repentinamente ele foi ao chão. Eva pediu ajuda as pessoas que passavam por ela, mas não haveria tempo bastante para o socorro e ela sabia disso…</p>
<p>George ainda ouviu atentamente aquelas últimas palavras cochichadas junto ao seu ouvido por Eva “<strong>George, não vai inventar de morrer justamente agora, falta tão pouco para você encontrar a Debora meu querido</strong>” e tão logo o socorro chegou, Eva o abandonou ali, afinal, ela não podia perder seu vôo.</p>
</blockquote>
<p>O sorriso ardiloso estampado no rosto de Eva deixou Dario curioso, ele conhecia bem aquele sorriso para saber que sua Lady Eva estava tramando alguma coisa:</p>
<p>_ O que essa sua cabecinha esta tramando cherry? Não me esconda nada, me conte absolutamente tudo…    <br />_ Não meu menino, eu estava aqui me lembrando do dia em que eu embarquei para cá e que eu achava que iria ser uma viagem curta e lá se vão mais de vinte anos, não é?     <br />_ Arrependida?     <br />_ De forma alguma!</p>
<p>Em meio a sorrisos agradáveis os dois se uniram as mãos antes de um beijinho maroto que escondia o desnecessário e exibia apenas o necessário…</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Sexto Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 11:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
				<category><![CDATA[De corpo e alma]]></category>
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		<description><![CDATA[     Nos dias seguintes aquele, muitas entrevistas, visitas inesperadas de pessoas desaparecidas no decorrer daqueles anos, surpresas agradáveis pela manhã como o abraço do filho que seguia por ali e telefonemas do outro que talvez não conseguisse chegar em tempo para festejar.     
Do marido, o músico Antony [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=648&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image16.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb16.png?w=394&#038;h=269" width="394" height="269" /></a>    <br /> Nos dias seguintes aquele, muitas entrevistas, visitas inesperadas de pessoas desaparecidas no decorrer daqueles anos, surpresas agradáveis pela manhã como o abraço do filho que seguia por ali e telefonemas do outro que talvez não conseguisse chegar em tempo para festejar.     </p>
<p>Do marido, o músico Antony Reverbel, ela seguia ganhando mimos, como café da manhã na cama, uma apresentação particular no meio da tarde, mas ela preferia mesmo era ir assistí-lo no teatro como de costume. Ela ainda se lembrava do rapaz sobre a ponte Neuf se apresentando para quem passasse, inclusive pra ela que acabou convidando-o para uma apresentação na noite daquele mesmo dia em que o conhecera… Sempre que olhava pra ele, ela lembrava-se de si mesma ao dizer “poderia ser você”… Os dois se reencontraram anos depois, quando Debora estava indo para Londres participar de mais uma exposição e lá estava ele, homem feito a deixá-la constrangida por não fazer idéia de quem ele era:</p>
<p>_ Não deve mesmo se lembrar de mim, afinal, já tem anos que nos vimos lá na ponte Neuf. Você me convidou para tocar numa vernissage. Lembra-se?   </p>
<p>Não era mais um rapaz com seu violino, agora era um homem com um belo sorriso e um olhar delicioso que fez questão de convidá-la para ir vê-lo no Teatro em Londres onde iria se apresentar juntamente a Orquestra Sinfônica de Berlim da qual era um ilustre convidado. O convite fora aceito e ao vê-lo no palco ela acabou por reviver uma antiga e curiosa sensação… </p>
<p>Ela que anos antes acreditava que em algum momento iria ver George num palco apresentando-se para um grande público, lá estava, mas não para ver o namorado da juventude e sim para ver Antony…</p>
<p>Os dois eram fãs confessos de seus respectivos talentos e com o passar dos dias tornaram-se amigos, cúmplices e então ele a surpreendeu com um beijo lento, repleto de carinho que a deixou muda por alguns instantes – foi apenas o primeiro de muitos beijos que viriam e o primeiro passo de uma vida que de comum mesmo só tinha a arte.    </p>
<p>Ele não causava tumulto em seus sentidos, tão pouco a inspirava a criar, mas havia a lucidez de um sorriso e a tranqüilidade de um olhar que se surpreende com pequenos detalhes como aquela canção que ele tocava uma vez mais naquele final de tarde, apenas por saber que ela simplesmente adorava:</p>
<p>_ Fico pensando em quem começou essa estranha arte de contar as horas, os dias… Isso tudo produz muita ansiedade…   <br />_ Está ansiosa Debora:    <br />_ Não estou falando de mim, estou falando de vocês… O Dário e a Eva estão preparando essa tal festa há dias e não se fala em outra coisa nessa casa. O Mateus me liga todos os dias para lembrar quantos dias falta para a tão esperada data… E você fica todo desesperado toda vez que entro em seu Studio…     <br />_ É só mais um dia, depois de amanhã tudo volta ao normal!    <br />_ Não acredito nisso, afinal, mês que vem vamos aos Estados Unidos para vê-lo receber o prêmio Avery Fisher que é simplesmente o mais importante prêmio da música clássica. Acho que eu mesma vou iniciar uma contagem regressiva para a data, o que acha disso?</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Quinto Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 19:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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		<description><![CDATA[     Debora levantou-se abruptamente, respirou fundo, buscou pela paisagem na janela e por fim vestiu-se de uma antiga sensação. Sorriu ao lembrar do sorriso safado de Gean, respirou fundo novamente e viu seus olhos vestirem lágrimas de outrora… Calmamente ela enxugou o rosto e pediu um tempo para si mesma. Precisava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=645&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image15.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb15.png?w=394&#038;h=461" width="394" height="461" /></a>     <br />Debora levantou-se abruptamente, respirou fundo, buscou pela paisagem na janela e por fim vestiu-se de uma antiga sensação. Sorriu ao lembrar do sorriso safado de Gean, respirou fundo novamente e viu seus olhos vestirem lágrimas de outrora… Calmamente ela enxugou o rosto e pediu um tempo para si mesma. Precisava estar sozinha…</p>
<p>Pierre que ali estava com sua câmera fotográfica tentando encontrar cenas importantes naquela casa para agradar Françoise estranhou a repentina saída de Debora e foi verificar o que estava acontecendo “o que houve com ela? Está tudo bem?” Perguntou o curioso rapaz que só estava ali devido a um problema particular do fotografo que estava realizando as fotografias para aquela biografia. Françoise que era uma experiente jornalista não gostava muito do jovem fotografo que seguia exibindo falta de experiência e total desconhecimento daquele universo, as vezes ela chegava a acreditar que ele nada sabia de arte e isso não era de todo mentira:</p>
<p>_ Não houve nada. Ela foi até a cozinha tomar um chá. E você? Conseguiu alguma foto interessante hoje? Porque as de ontem não ficaram boas. Fotografe novamente a tela em cima da lareira. É uma tela importante na vida da Debora, foi feita pouco tempo depois de sua chegada no Rio de Janeiro, chama-se Latitude…</p>
<p>A tela nada dizia para Pierre, mas tinha um significado muito singular, já que narrava a paixão de Debora por Gean Petrasco, o grande amor da vida da artista plástica. Contudo, por mais que o jovem fotografo focasse a lente e buscasse ângulos e possibilidades várias, a falta de sentido naquele cenário o frustrava.&#160; Ele não entendia absolutamente nada de arte e tão pouco do trabalho feito por Debora, tudo que conseguia enxergar ali eram pedaços de arame combinados com tintas e muitas outras coisas mais. Seus olhos não estavam preparados para entender aquela composição. Ele dizia pra si mesmo que não daria nem um centavo por aquela “coisa estranha”. Talvez por essa razão suas fotos fossem tão vazias para Françoise que seguia reclamando das fotos feitas por ele:</p>
<p>_ Os artistas são tão engraçados, você não acha?    <br />_ Eu acho engraçado ouví-lo falando dessa forma. Não se considera um artista?     <br />_ Claro que não. Eu sou um fotografo, essa é minha profissão…</p>
<p>Françoise achou graça do comentário tolo feito por Pierre, ali, naquele momento, ela teve certeza de que ele não iria longe na tal “profissão”. Afinal, fotografia também era uma forma de arte e era preciso muita sensibilidade para capturar momentos preciosos da vida de alguém ou de uma simples cena cotidiana. Ela por sua vez, buscou por um envelope onde havia algumas fotografias, entregando-as para Pierre que correu os olhos rapidamente sobre elas. Ele conseguiu descrever com absurda precisão o material usado, a técnica aplicada, mas era completamente incapaz de verificar os detalhes que ali estavam:</p>
<p>_ De quem são?    <br />_ De um artista chamado Mateus Peixotto, um dos filhos da Debora. Você deveria ver a sutilidade que ele encontrou em cada um desses momentos. Tem uma foto aí que ele levou meses para fazê-la, mas deve ser por isso que ele está na África, fotografando para a National Geographic enquanto você está aqui “tentando” conseguir algum material que eu possa utilizar no livro que vai contar a história da vida da mãe dele…</p>
<p>Pierre respirou fundo e tentou dedicar-se um pouco mais aquela tela. Clicou inúmeras vezes e a cada visita ao visor, Françoise balançava de forma a cabeça de um lado para o outro de forma negativa, sempre respirando fundo como quem cansa de observar uma simples parede com uma tela. </p>
<p>Debora que acabara de retornar da cozinha com uma bandeja com chá e biscoitos viu a cena inusitada o que a fez abandonar tudo rapidamente sobre a mesa, indo juntar-se ao rapaz… Pierre acabou surpreendido pela presença de Debora ali ao seu lado, ela parecia buscar pelo mesmo ângulo do olhar do jovem fotografo:</p>
<p>_ Está vendo tudo pelo ângulo errado meu rapaz. Não são seus olhos que precisam enxergar, porque os nossos olhos só nos mostram aquilo que já esta aí e nem sempre isso é interessante. Deixe a câmera de lado por um segundo, feche os seus olhos e busque dentro de você algum tipo de sentimento que está lá dentro onde ninguém mais é capaz de alcançar. Depois busque por uma música que só tenha sentido pra você e a ouça na sua mente, por fim, deixe que o seu sentimento te leve pra longe daqui e fique por lá o tempo que for necessário. Sem pressa, apenas sentir-se fora de si mesmo e depois volte pra você, como se você estivesse voando por aí e finalmente aterrissasse nesse porto seguro que você mesmo deve ser. Então abra os olhos lentamente e busque enxergar o que está lá bem diante de você, mas não com os olhos de fora, com os de dentro…</p>
<p>Pierre ficou imóvel, engoliu seco, sentiu seus olhos mareados enquanto sua pele parecia imersa numa estranha forma de medo. Foi tão desconfortável que ele pensou em fugir dali, mas as mãos de Debora limitaram seus movimentos, não permitindo a fuga. Então, mesmo trêmulo, ele alinhou a lente da câmera e clicou, várias vezes, seguidamente: foto após foto. A partir daquele momento, Françoise numa mais reclamaria de suas fotografias e fotografar nunca mais seria uma profissão…</p>
<p>Os três sentaram para tomar uma xícara de chá quente com biscoitos de nata, os favoritos de Debora que seguia tecendo suas antigas lembranças. Ela contou sobre a o desconforto da volta para Paris diante da ausência de Gean e da novidade que se desenhou nos dias seguintes:</p>
<p>_ Eu estava dando aulas para os meus alunos no meio do gramado e de repente um vento forte surgiu do nada e tudo começou a rodar&#160; a minha volta. Só me lembro que eu acordei na enfermaria com aqueles olhares em mim. Foi assim que eu soube que estava grávida do Mateus e do Giani. Não deixa de ser engraçado, porque naquele verão foi a primeira vez em toda a minha vida que eu pensei em passar a minha vida inteira com alguém, ter filhos, uma casa no campo. Nunca antes tinha me ocorrido esse pensamento…    <br />_ Desculpe perguntar, mas você ainda pensa no “seu Giani”?</p>
<p>Um misto de ausência e saudade ganhou espaço nos olhos e nos lábios de Debora que se viu entregue a uma lembrança singular:</p>
<p>_ Françoise, algumas coisas são pra sempre, outras pra nunca mais… Bem, me diz o que mais você precisa de mim, porque preciso ir para o meu atelier, há uma última arte para eu terminar…    <br />_ Eu entendi bem? Ou você não vai mais se dedicar as artes?     <br />_ Não é bem assim, mas é que eu já fiz centenas de telas e instalações, já não sei mais de quantas exposições eu participei em todos esses anos, meus olhos estão cansados e eu só quero desenhar qualquer coisa que seja: pessoas, animais, paisagens. Só um pequeno traço, sem compromisso com os outros, só comigo mesma…     <br />_ Tudo isso é consequência da proximidade dos seus sessenta anos?</p>
<p>Um sorriso gostoso ecoou pelo ar, era preciso repetir várias vezes pra si mesma que dentro de algumas semanas ela teria sessenta anos porque nem o corpo e tão pouco a alma pareciam cientes disso…</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Quarto Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 11:39:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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		<description><![CDATA[      De volta ao Rio de Janeiro, Debora em seu novo estado natural, arrumava as malas ao lado de Dario que estava feliz por ver aquele ele belo sorriso no rosto iluminado de sua amiga. Debora era sempre sorridente, mas naquele novo momento havia muito mais que um simples sorriso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=642&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image13.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb13.png?w=370&#038;h=339" width="370" height="339" /></a>     <br /> De volta ao Rio de Janeiro, Debora em seu novo estado natural, arrumava as malas ao lado de Dario que estava feliz por ver aquele ele belo sorriso no rosto iluminado de sua amiga. Debora era sempre sorridente, mas naquele novo momento havia muito mais que um simples sorriso e isso o deixava radiante:</p>
<p>_ Dário, já providenciou o envio de todas as telas e os demais trabalho para Paris? Eu estou super ansiosa pra concluir aquilo tudo. Eu sei de cada desenho, de cada traço. Está absolutamente tudo na minha mente e olha, se prepara, porque eu vou querer algo grandioso. Vai ser minha melhor exposição…    <br />_ Já está tudo providenciado, quando você chegar já vai estar lá no seu novo atelier…     <br />_ Nem me fale. Tantas coisas novas. Eu sempre adorei novidade, mas dessa vez é diferente. Se dependesse de mim eu estralaria os dedos e estaria em Paris…     <br />_ E o moçoilo vai também?     <br />_ Claro que sim, ele vai nos encontrar no aeroporto. Ele precisou ir até Santos para despachar a moto que eu dei pra ele e tem algumas coisinhas pra ele acertar antes da gente ir embora daqui…     <br />_ Deb, e como ele vai fazer pra embarcar? O rapaz é foragido, lembra?     <br />_ Como Mateus Petrasco que é o nome do avô dele. Simples…     </p>
<p>Dario estava boquiaberto, ao mesmo tempo em que ficou ainda mais feliz por saber que tinha ganho a aposta. Agora sim era perfeito: “dois deuses gregos em um só”… Tal comentário fez Debora cair na risada, enquanto Dario respirou fundo ao lembrar-se que iria sentir saudades de sua “<strong>Lady Eva</strong>”:</p>
<p>_ Será que ela vai nos visitar em Paris. Você não se incomodaria, não é? Eu adoro a Lady Eva, ela tem uma sarcasmo divino e uma perspicácia maravilhosa. E o pior é que você nunca tinha me falo dela…</p>
<blockquote><p>As horas seguiam seu entusiasmo natural, Suzanna veio visitar Debora para dela se despedir e contar a novidade que deixou Debora satisfeita, afinal, era uma continuidade desenhada:</p>
<p>_ Eu só fico preocupada com uma coisa Suzanna…      <br />_ E o que seria?       <br />_ Não desiste de você porque em algum momento você vai acabar encontrando alguém que vai encher de cor novamente a sua vida.       <br />_ Mas eu já tenho isso Debora…       <br />_ Suzanna, um filho é uma coisa maravilhosa, mas é preciso muito mais. Então seja uma pessoa atenta e não perca as oportunidades que surgirem, ok?       <br />_ Seu pai tinha razão: você é uma pessoa incrível!       <br />_ Você vai ter que ir até Paris pra que eu conheça o meu irmãozinho, não esqueça disso…</p>
<p>Despedidas ensaiadas e os olhares guardam um pouco de tudo e deixam de lado alguma coisa. Suzanna pouco tempo teve para conhecer Debora pessoalmente, mas a conhecia de uma outra forma, através das palavras sempre carinhosas de Mauro que falava da filha o tempo todo e deixava no ar uma admiração saudável, carinhosa por aquela que sempre seria sua menina de sorriso fácil. Ele dizia “<strong>acho que a primeira coisa que ela fez ao nascer foi abrir aquele sorriso</strong>”… Os olhos mareados de Suzanna teciam saudades em suas veias e era preciso respirar fundo e aconchegar-se no abraço demorado da nova amiga para suportar aqueles momentos pós perda. Está certo quem diz que a morte é muito mais difícil pra quem fica…</p>
</blockquote>
<p>As malas já estavam no carro, o quarto ocupado por Debora já estava vazio, faltava despedir-se da irmã, que estava ausente. Eva decidiu que Debora não deveria saber absolutamente nada sobre a prisão de Claudia “<strong>Dario, o que ela poderia fazer quanto a isso, não quero que ela perco mais tempo nessa cidade. O lugar dela não é aqui. Eu me sinto mais tranquila com ela em Paris</strong>” Dario ficou arrepiado com o comentário feito por Eva e diante disso preferiu concordar e não disse absolutamente nada sobre o assunto para sua amiga.</p>
<p>Mas havia alguém a quem Debora não procuraria que estava lá, na sala a esperar por ela: George Petrasco. Figura lúcida, um tanto sombria, parecia exibir algum tipo de tristeza no olhar, mas também parecia tramar alguma coisa. A presença dele ali deixou Eva inquieta, afinal, ela nunca gostara daquele rapaz a quem chamava de “rato” constantemente. Para ela, George vivia numa caixinha cheia de brinquedinhos com os quais brincava sem saber porque, feito um hamster.</p>
<p>Debora não desejava falar com ele, mas George insistiu de forma desagradável e nem mesmo a interferência de Eva que fez questão de avisar que ela estava atrasada foi suficiente para demovê-lo da idéia de falar a sós com Debora que acabou levando-o para o escritório de seu pai, ao lado para ouví-lo, dando a ele apenas cinco minutos.</p>
<p>De imediato, George vestiu aquele seu semblante de coitado, falou de seus sentimentos, do quanto ainda amava Debora e do quanto a desejava. Pediu desculpas por tê-la decepcionado, para ele era essa a parte mais difícil, saber que a tinha decepcionado. Seus olhos chegaram a verter lágrimas, mas nada disso parecia comover Debora que estava ali, diante dele, imóvel, sem reação alguma. Ela mantinha os braços cruzados e respirava fundo vez ou outra.</p>
<p>Ele seguia sua ladainha e como nada parecia ser suficiente para convencê-la de seus “nobres” sentimentos por ela… Ele respirou fundo e cuspiu suas formas inusitadas de verdade:</p>
<p>_ Eu faço qualquer coisa por você. Eu vou provar pra você que eu sou digno do seu amor, está me entendendo? Eu vou me libertar de coisas que fiz de errado e que você não aprova. Diz alguma coisa Debora… Agora eu sei que eu deveria ter me dado por inteiro a você… Tantas coisas seriam diferentes pra nós dois: você não teria se envolvido com aquele lixo, não teria ido embora e ainda estaria comigo… Mas nada disso importa, eu sei…</p>
<p>Debora respirou fundo uma vez mais, sua paciência estava no limite, era muito cansativo pra ela ficar ali, ouvindo todas aquelas coisas sem sentido. Ela se sentia no circo, assistindo um palhaço tentando fazer o público rir sem sucesso:</p>
<p>_ George, eu preciso ir ou vou perder o meu vôo… O que aconteceu entre a gente foi um erro e acabou…    <br />_ Não fala assim, por favor. Eu vou dar um jeito nisso tudo e vai ser diferente. Eu vou me entregar e vou ser punido por tudo que eu fiz de errado. Eu só preciso que espere por mim… Só isso…     <br />_ Não dá George, eu não posso…</p>
<p>Diante da negativa de Debora, ele quase explodiu, mas tentou conter-se, respirou fundo, se aproximando de Debora a ponto de segurar seus braços fortemente. Ele exibia um sorriso ardiloso, pouco humano que a deixou apreensiva:    </p>
<p>_ Me solta George, você esta me machucando…     <br />_ Então me diz que vai esperar por mim, é só o que você precisa dizer porque eu sei que você me ama. Você pensa que ama aquele outro, mas não é verdade e você vai descobrir isso logo. É só de um tempo que você precisa e eu vou dar esse tempo a você. Agora diz que vai esperar por mim porque eu vou sair daqui e vou entregar. Vou confessar que eu fui quem matou aquele idiota na joalheria, que fui eu quem matou a Aurea o José Frederico… Eu estou com as armas do crime aqui comigo, quer vê-las? Eu mostro pra você…     <br />_ Eu não quero absolutamente nada George, só quero que você me solte…     </p>
<p>E usando uma força ainda maior, George gritou com sua amada enquanto apertava ainda mais seu braço e diante da afirmativa de Debora “<strong>tudo bem, eu vou esperar por você quanto tempo for preciso, agora me solta</strong>” ele a soltou e voltou a sorrir, tocando o rosto dela suavemente e por fim a beijou com tamanha intensidade que deixou os lábios de Debora dormentes..</p>
<p>George passou por Dario e Eva feito o vento e em seguida os dois viram Debora surgir na sala e pedir para ir embora imediatamente. Durante o caminho até ao aeroporto, ela não disse uma só palavra, sua pele estava trêmula, suas mãos frias e sua mente incomodada. Toda a calma que ela tivera diante de George havia desaparecido, deixando-a exausta.</p>
<p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image14.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb14.png?w=517&#038;h=328" width="517" height="328" /></a> </p>
<p>Água fria no rosto, alguns minutos se olhando no espelho e a certeza do embarque na chamada que ela ouvira. Aqueles eram seus últimos minutos naquela cidade e uma certeza ela tinha: nunca mais voltaria. Ao voltar para junto de Dario percebeu que Gean ainda não havia chego e faltavam poucos minutos para o embarque. Ligou pra ele seguidamente, mas estava na caixa postal. Seu olhar procurou várias vezes por ele em meio a multidão, mas não o encontrou… Então um mensageiro a descobriu ali e entregou a ela um bilhete, era de Gean… Nenhuma palavra escrita além de seu nome no verso daquele pedaço de folha em branco…</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Terceiro Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 03:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
				<category><![CDATA[De corpo e alma]]></category>
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Debora e Gean seguiam alheios ao mundo lá de fora, os dois estavam se descobrindo um no outro, um através do outro. Beijos e carícias seguiam se desenhando por entre os lençóis… 
Há dias estavam ali, mas estavam ausentes de tempo e espaço, tamanha suavidade encontrada ali naquelas linhas, feitas de olhares amendoados e sorrisos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=636&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image11.png"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb11.png?w=389&#038;h=377" width="389" height="377" /></a></p>
<p>Debora e Gean seguiam alheios ao mundo lá de fora, os dois estavam se descobrindo um no outro, um através do outro. Beijos e carícias seguiam se desenhando por entre os lençóis… </p>
<p>Há dias estavam ali, mas estavam ausentes de tempo e espaço, tamanha suavidade encontrada ali naquelas linhas, feitas de olhares amendoados e sorrisos demorados. Então se repetiam os olhares, os carinhos, os beijos e carícias que redesenhavam espaços que agora se ocupavam de pertencer um ao outro e nada mais…</p>
<p>O silêncio se desenhava ali naquelas arestas enquanto eles caminhavam ao longo de suas margens. O lago ao lado refletia sentimentos vários. Se alguém passasse e visse aquele casal ali, feito obra do acaso, acabaria acreditando que muitos anos os uniam, como se aquele fosse apenas mais um fim de semana de sentimentalidades, no qual ambos escolheram fugir para longe da realidade que os abraçava em outrora. Ou então pensariam ser eles amantes a entregar-se a um novo momento e dali seguiriam para suas vidas espaçadas…</p>
<p>Sentados na varanda daquele chalé, ela riscava folhas em branco, enquanto ele se ocupava em fotografar os traços e retas daquela bela mulher cheia de contrastes que o deixava assim: refém que não deseja ser resgatado jamais. Ele sorria enquanto a descobria ali pela lente de sua câmera, um presente de seu pai… Ele sempre fora cheio de amenidades que jamais nenhuma outra mulher descobrira ou percebera. As outras eram encontros espaçados, alheios a sua vida, a sua realidade. E agora, repentinamente, aquela mulher, ali, ao seu alcance ocupava-se de sua intimidade, de seus gostos e prazeres e estava ali e ele queria que fosse pra sempre…</p>
<p>Os traços de Debora no verso da folha desenhavam aquela figura humana que ela tão bem conhecia. Vez ou outra levava o cabelo para trás da orelha numa inquietação pouco comum e então apareciam as lembranças do jovem Giani tocando sua guitarra no ginásio da escola onde ela estudava. Ela sabia que tinha se apaixonado por ele ali naquele momento, era obvio que ela percebera ali que aquele jovem aventureiro, com suas roupas de couro, guitarra, sorriso arisco e olhar safado. Repentinamente ele tinha se tornado tudo que ela queria para si mesma. Sentiu medo, o coração acelerou e ela quis ir embora, mas ele começou a tocar aquela canção que seqüestrou seus sentidos, como se soubesse que ela estava ali, na distância exata e que sendo assim, seria completamente possível alcança-la e de fato alcançou… Quando o viu na sala de sua casa, vestido feito um príncipe de histórias tolas da infância, engoliu seco e pensou em recusar sua presença, mas não pode… Se deixou levar, se deixou seduzir, tocar, amar por ele e ao despedir-se daqueles olhos na manhã seguinte, queria rasgar a verdade para ser apenas dele, mas havia o outro, aquele que nunca fora ninguém:</p>
<p>_ Esse sorriso está te denunciando… No que esta pensando?    <br />_ Em você…     <br />_ Então me conta…     <br />_ Eu não penso no passado, mas ocorreu de lembrar daquele dia que você foi me buscar para o baile da formatura e eu te reconheci. O cabelo era diferente, mesmo com o gel não era igual e o perfume que você usava era perfeito demais… Sabe aquela sensação de corpo e alma??? Era isso… Eu sempre quis saber por que você foi até lá…</p>
<p>Gean respirou fundo e acabou sorrindo ao lembrar-se da imagem daquela jovem estranha descendo as escadas de sua casa, pronta para um simples baile de formatura e como estava linda aquela menina. Por um momento ela havia ezitado no passo e ele pensou que ela o tivesse reconhecido e de fato tinha, mas era algo que não passou de uma suspeita, esquecida quando ela beijou carinhosamente seus lábios:</p>
<p>_ Eu entrei no quarto do George disposto a pegá-lo pelo pescoço por causa de algumas letras de músicas minhas que ele tinha pego. Ele não estava, mas as minhas letras estavam lá sobre a mesa. Ele tinha copiado num caderno onde estava escrito “para minha Deusa”. Eu fiquei tão irritado com aquilo que eu resolvi sacaneá-lo. Já que ele estava saindo com você se fazendo passar por mim, eu resolvi aproveitar isso…</p>
<p>Debora achou graça daquela confissão, ela jamais imaginaria algo diferente daquilo, afinal, aquele era o jeito Giani de ser – ele, por sua vez, enquanto desfilava suas antigas aventuras para sua namorada, perdeu-se numa lembrança que chegou sem avisar, deixando-o ali:</p>
<blockquote><p>George entrou no quarto de Gean de forma abrupta, arrancou-lhe os fones de ouvido e jogou todas aquelas fotografias sobre a cama, cobrando algum tipo de satisfação quanto as revelações desagradáveis que aquelas imagens confessavam:</p>
<p>_ É você nessas fotos… Com a minha namorada ou você vai negar isso seu canalha?</p>
<p>Gean observou atentamente as fotografias e apenas sorriu, o que serviu apenas para deixar George ainda mais irritado:</p>
<p>_ Quem você pensa que é? Ela é minha namorada. Não consegue respeitar isso?      <br />_ Respeitar George? Você é mesmo uma graça: você mente pra ela o tempo todo, finge ser uma coisa que não é e quem nunca vai ser e vem me falar em respeitar? Essa garota nem ao menos sabe que você existe, se soubesse não teria ido pra cama comigo…       <br />_ Cala a boca seu canalha…       <br />_ Falei alguma mentira? Porque você roubou as minhas letras e apresentou pra ela como se fossem suas, passou a ter aulas de violoncelo para se passar por músico, algo que você nunca foi… Você vive dizendo que vai viajar com ela pelo mundo e a verdade é que você nunca vai sair daqui… Acha que ela nunca vai perceber que você é uma fraude? Ela é uma artista George, tem uma sensibilidade incrível, uma percepção fantástica, essa cidade não significa nada pra ela. E o que você vai fazer quando ela for embora? Não quer que eu acredite que você vai com ela?       <br />_ Ela não vai a lugar nenhum… Ela vai ficar comigo, nós vamos nos casar…       <br />_ Acha mesmo que ela vai abandonar os sonhos dela pra ficar com você? Se olha no espelho, você não é ninguém, você não é nada…       <br />_ E você é o que? Se eu sou uma fraude, você é ainda pior. Você se passou por mim pra ir pra cama com ela…       <br />_ Não, eu fui eu mesmo, o tempo tempo porque foi você quem me colocou na cama dela, não eu!       <br />George enfureceu-se com aquele comentário, cerrou os punhos e partiu pra cima de Gean, socando-o fortemente, o que provocou uma rápida reação em Gean que sempre fora mais forte que seu irmão gêmeo. Gean agarrou George pela camisa, prensando-o fortemente contra a parede, ali naquele momento toda a raiva acumulada ao longo dos anos parecia estar se libertando:</p>
<p>_ Eu estou cansado de você. Estou cansado desse seu joguinho idiota. Por que você não se torna alguém de verdade só pra variar? Por que você não tenta ser você mesmo ao menos uma vez na sua vida? Me deixa em paz, deixa a minha vida em paz…      <br />_ Eu odeio você Gean, eu seria a pessoa mais feliz do mundo se você morresse porque não há espaço suficiente pra nós dois. Será que você não percebeu ainda?</p>
<p>Gean cansou-se de todas aquelas bobagens, e acabou expulsando George de seu quarto a força, arremessando-o contra a parede do corredor do lado de fora do quarto. Gean ainda ameaçou socá-lo, mas ficou apenas na ameaça pois não poderia machucar as mãos em vão. Aquela briga estabeleceria uma distância definitiva entre os dois e serviria apenas para Gean perceber que havia se apaixonado por Debora…</p>
</blockquote>
<p>_ Você e o George nunca se deram bem?    <br />A pergunta feita por Debora trouxe Gean de volta aquele momento, ele respirou fundo e ao observar Debora acabou sorrindo:</p>
<p>_ Acho que a gente só se deu bem enquanto éramos crianças, conforme a gente foi crescendo, as coisas foram ficando estranhas. Uma vez eu o surpreendi no meu quarto me imitando diante do espelho, usando as minhas roupas e a gente acabou brigando feio. Depois veio um lance com uma garota, as letras de música e finalmente veio você… É engraçado porque quando eu dancei com você na sua formatura, eu não sei explicar, eu apenas sabia que você não sabia absolutamente nada sobre o George… Era como se você conhecesse a mim e não a ele, como se estivesse namorando comigo e não com ele… Depois eu fiquei tão irritado comigo mesmo porque eu tinha estragado tudo e quando eu vi aquelas fotos, imaginei que o George tinha falado com você e achei que você nunca iria querer me ver na sua frente. Então eu resolvi ir até sua casa pra olhar no seu olho e dizer que eu tinha sido um idiota, agindo exatamente igual ao idiota do meu irmão, mas você já não estava mais lá. Então anos depois, eu estou no bar da sua irmã e lá está você dizendo com todas as letras que tinha voltado por causa dele. Você não faz idéia do quanto aquilo me incomodou. Eu fiquei andando de um lado para o outro até que fui para o banheiro dos fundos, fiquei olhando no espelho e disse pra mim mesmo “se é isso que ela quer, é isso que ela vai ter”…    <br />_ Pensei que era pra ser apenas uma transa… Não foi isso que você me disse?     <br />_ E era pra ser só isso Debora, mas você ficou em mim: eu sentia o seu perfume na minha roupa, o seu toque, o sabor da sua pele, do seu beijo. Eu ouvia a sua respiração ofegante junto ao meu ouvido e eu quis mais. Aliás, eu continuo querendo mais…</p>
<p><a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image12.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb12.png?w=425&#038;h=297" width="425" height="297" /></a> </p>
<p>Gean se aproximou de Debora que fechou os olhos se deixando alcançar por aqueles toques afoitos que reviram sua pele pelo avesso numa ansiedade aprazível. Ali mesmo, ao ar livre, de frente para a paisagem inebriada, ela agarrou fortemente o encosto da cadeira, deixando seu lado fêmea aflorar – enquanto ele despia sua derme e seguia criando por ali novas formas de contornos e então eles se permitiam naufragar outra vez e cada vez mais no silêncio de suas próprias linhas…</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Segundo Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 04:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;     George voltou para sua casa onde tudo que podia se ouvir eram as vozes de duas pessoas que pareciam embriagadas: Áurea e José Frederico que estavam despidos e sob os lençóis… Os dois trocavam intimidades, carícias e confidências na certeza de que estavam sozinhos, mas não estavam… 
O casal gozava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=631&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#160;<a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image10.png"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb10.png?w=320&#038;h=320" width="320" height="320" /></a>     <br />George voltou para sua casa onde tudo que podia se ouvir eram as vozes de duas pessoas que pareciam embriagadas: Áurea e José Frederico que estavam despidos e sob os lençóis… Os dois trocavam intimidades, carícias e confidências na certeza de que estavam sozinhos, mas não estavam… </p>
<p>O casal gozava de uma falsa liberdade que permitia a eles não se preocupar com portas entre abertas, silêncios e impedimentos vários como a possível presença de George que nunca desconfiou de tais obscenidades entre eles.</p>
<p>Do lado de fora, boquiaberto, George não conseguia acreditar no que ouvia. Era doentio demais saber que seu irmão mais velho estava na cama com a própria mãe. Ali, encostado contra a parede, em meio a um transtorno pessoal ele ainda não sabia bem o que sentia com relação a tudo aquilo e diante de tal infortúnio, ele apenas ficou ali por um bom tempo a ouvir tudo que diziam:</p>
<p>_ Me diz uma coisa, porque não se livra daquele idiota? Já estou cansado de ter que me preocupar com ele aqui… É sempre a mesma coisa: temos que esperá-lo ir dormir todos os dias para que eu possa ocupar o meu lugar de direito… Também estou cansado de ver você paparicando o seu filhinho querido. Eu já disse a você que eu não gosto da forma como você o toca…    <br />_ Não seja tolo Frederico… Nós precisamos dele aqui! Você sabe muito bem disso…     <br />_ Pra quê meu amor? Ele não pode fazer mais absolutamente nada por nós dois. Tudo que ele precisava fazer, já fez… Foi ele quem nos livrou daquele problema chamado Gean Petrasco que estava indo longe demais com aquela maldita investigação… Mas isso agora é passado: acabou. Não precisamos mantê-lo aqui…     <br />_ Não vamos falar disso agora meu amor. As paredes tem ouvido Frederico!     <br />_ Não tem ninguém em casa Aurea, estamos absolutamente sozinhos. Lembra? Pela primeira vez em muitos anos, estamos sozinhos… Poderia ser diferente se você não insistisse em manter aquele idiota por perto. Aquele inútil que foi capaz de matar alguém por causa de algumas fotografias onde a namorada dele aparecia os beijos com o Gean… Eu juro que eu nunca pensei que seguir o Gean iria me levar aquela cena maravilhosa… E você ainda disse pra mim que não iria resolver seguir o Gean porque ele era todo certinho…&#160; <br />_ O que eu posso fazer se o fraco dele eram as mulheres. Primeiro foi a Debora que nos ajudou e depois foi aquela vadia que você contratou para levá-lo para um motel e depois sumir do mapa. Foi perfeito o nosso plano… O George resolveu todos os nossos problemas de uma só vez: os diamantes nos tiraram da falência e o crime nos livrou da cadeia porque aquele idiota do Gean iria acabar provando que você matou aquele inútil do pai dele… Aquele verme que não aceitou saber do meu amor por você…     <br />_ Só foi uma pena a gente não ter conseguido se livrar de uma vez por todas do Gean. Nem quando ele foi preso e nem dessa última vez que ele resolveu aparecer por aqui. Você poderia pelo menos ter uma pontaria melhor…     <br />_ A culpa foi do George, foi ele quem me atrapalhou… E num primeiro momento eu pensei que tinha realmente acertado, mas aquele idiota fingiu ter morrido…     <br />_ E o outro idiota não te deixou terminar o serviço!</p>
<p>José Frederico encheu novamente as taças e brindaram em meio as muitas gargalhadas que seguiam dando enquanto se deliciavam com todas as suas armações:</p>
<p>_ Mas a gente deu muita sorte, porque se fosse nos dias atuais, o Gean não teria sido condenado… Seria muito fácil provar que era o George naquele vídeo e não o Gean…    <br />_ Só que nada disso importa. Porque ele foi condenado e nós temos os nossos belíssimos diamantes. Não vamos desperdiçar o nosso tempo livre com essa bobagem. Vem cá, vem pra mamãe meu amor…</p>
<p>E os dois se entregaram a uma carícia intensa que deixou George enojado, fazendo com que ele procurasse o banheiro mais próximo onde vomitou seguidamente. O encontro com seu reflexo o deixou frustrado. As lágrimas corriam por sua face e a vontade de gritar era imensa, mas ele conteve-se. Pensou num primeiro momento em fugir dali e num rompante desceu rapidamente as escadas, chegando a abrir as portas da frente, mas estando ali, ficou imóvel… </p>
<p>Alguns segundos foram suficientes para ele recobrar um pouco de sua razão, o que o levou de volta para dentro. Na cozinha ele tomou um copo d’água como quem engole todos os infortúnios que rondam a pele… No escritório ele ficou com suas lembranças, o tiro que matou o atendente na joalheria, o olhar para a câmera para ser flagrado. As fotos de Debora nos braços de Gean, a morte de seu pai antes de tudo isso… </p>
<p>Ele desabou sobre a mesa, esbarrando em uma arma abandonada por ali em meio aos papéis e ao observá-la atentamente, acabou apontando pra si mesma. Fechou os olhos, mas faltou coragem – não era tão fácil assim por fim em tudo aquilo. E isso o fez rir de si mesmo, de forma inusitada…</p>
<p>De posse do telefone ele ligou para Claudia que desligou o telefone tão logo ouviu a voz dele do outro lado. Ela seguia culpando-o pela morte de seu pai e não desejava falar com ele nunca mais. Contudo, George insistiu e diante de seu pranto, Claudia acabou indo ao encontro do amigo na casa da Família Petrasco.</p>
<p>George estava sentado junto a soleira da porta, parecia uma criança desprotegida, desamparada, assustada. Tão logo a viu, se jogou aos pés da amiga implorando por seu perdão. Em meio a um choro desesperado, ele implorava para que ela compreendesse seus motivos, mesmo sendo aparentemente tão difícil fazê-lo.</p>
<p>Claudia ficou preocupada com a atitude de George, que estava completamente fora de si. Forçosamente, ele aceitou ir a cozinha onde tomou um chá feito por ela na tentativa de acalmá-lo:</p>
<p>_ George, o que está acontecendo com você? Eu nunca o vi assim antes…    <br />_ Eu sou um idiota Claudia… Eu não tenho mais nada na vida, eu perdi tudo… Por favor, você é tudo que me resta. Me ajuda…</p>
<p>George abraçou Claudia fortemente. Ela estava assustada com tudo aquilo, não sabia ao certo o que pensar e aproveitando-se do momento de confusão, ele a beijou lentamente,&#160; mas ela se afastou “<strong>o que esta fazendo George?”</strong> e ele a buscou de imediato confessando a ela seu medo de perdê-la, algo que ele não suportaria:</p>
<p>_ Há tempos que eu gosto de você, mas só agora eu percebi isso. Por favor Claudia, não me rejeita… Eu vou me matar se isso acontecer…</p>
<p>Claudia respirou fundo e quando se deu por si já estava completamente envolvida por George que a beijava com sofreguidão, buscando despí-la ali mesmo numa pressa insensata. Mas num rompante, decidiu que ali não seria o melhor lugar, então a conduziu para seu quarto…</p>
<p>Ela pensava consigo mesmo “<strong>talvez ele mude a partir desse momento</strong>” e como quem tenta justificar o próprio pensamento seguia pensando “<strong>o sofrimento sempre ensina alguma coisa pra gente</strong>”. E totalmente envolvida por ele, sendo conduzida para o quarto, quase não ouviu a campainha tocar, interrompendo aquele momento dos dois:</p>
<p>_ Quem será?    <br />_ Não sei, mas eu vou ver… Vá indo para o meu quarto e me espere que eu não me demoro…     </p>
<p>Claudia sentiu um desconforto estranho, mas conseguiu se reequilibrar e seguir para o quarto enquanto George fora atender a porta. Eram dois policiais, mas George não pareceu surpreso, recebendo-os calmamente. O desespero demonstrado há pouco diante de Claudia havia desaparecido repentinamente:</p>
<p>_ Boa noite senhores, em que posso ajudar?    <br />_ Recebemos uma denúncia há pouco e viemos investigar. Alguém nos ligou dizendo ter ouvido tiros nesta casa…     <br />_ Bem, eu acabo de chegar. Estava subindo para o meu quarto. Tem certeza de que a denúncia foi exatamente daqui?     <br />_ Temos sim senhor. Se incomoda se a gente der uma olhada?     <br />_ Não, de forma alguma. Fiquem a vontade…</p>
<p>Foi então que um grito tomou conta de todo o lugar e logo em seguida vieram os disparos que assustou George e deixou os policiais em alerta:    </p>
<p>_ Veio lá de cima… O senhor fique aqui e não faça nenhuma bobagem…</p>
<p>Alguns minutos depois um novo disparo se fez ouvir e em seguida, os policiais desceram trazendo Claudia algemada para espanto de George que não conseguia entender o que estava acontecendo. Em pouco tempo, o local estava ocupado por vários policiais, médicos e muitas outras pessoas que seguiam entrando e saindo daquele lugar…</p>
<p>Levou alguns dias para que a rotina naquela casa voltasse ao normal, mas finalmente veio o silêncio e a tranqüilidade. Os empregados limparam absolutamente tudo e lentamente as coisas foram voltando ao normal. Os corpos de Aurea e Frederico acabaram sendo liberados no final da semana e o enterro aconteceu de forma sombria já que os boatos de envolvimento entre mãe e filho chocaram a todos ao ser noticiado que esse seria o possível motivo do crime cometido por Claudia que acabou sendo indiciada por duplo homicídio culposo.</p>
<p>Em casa, George tratou de se livrar dos pertences da mãe e do irmão. Não queria absolutamente nada deles naquela casa e quando se viu sozinho, sentou-se na velha poltrona de sua mãe e sorriu do alto de sua ironia:</p>
<p>_ George… George… George, mas o que foi que você fez menino?</p>
<p>E do alto de sua ironia ele proferiu uma alta gargalhada típica de quem se diverte com algo muito engraçado…</p>
</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
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		<title>Trig&#233;simo Primeiro Cap&#237;tulo&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 03:36:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lunna</dc:creator>
				<category><![CDATA[De corpo e alma]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160;     Debora chegou ao hospital quando os médicos tinham autorizado visitas individuais. Mauro estava na UTI e seu quadro inspirava cuidados. Suzana ficou ali mesmo, num canto da sala pois não fazia parte da família e não poderia entrar, mas acabou surpreendida por Eva que pediu que ela fosse a primeira [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=628&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#160;<a href="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image9.png"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://lunnaguedes.files.wordpress.com/2009/10/image_thumb9.png?w=373&#038;h=301" width="373" height="301" /></a>     <br />Debora chegou ao hospital quando os médicos tinham autorizado visitas individuais. Mauro estava na UTI e seu quadro inspirava cuidados. Suzana ficou ali mesmo, num canto da sala pois não fazia parte da família e não poderia entrar, mas acabou surpreendida por Eva que pediu que ela fosse a primeira a entrar. Dário ficou radiante com a atitude de sua Lady Eva, afinal, ele sabia do envolvimento amoroso de Suzana e Mauro assim como Eva “Você é uma Lady realmente” disse ele ao beijar suas mãos carinhosamente.</p>
<p>Eva foi rápida, não tinha mesmo muito o que dizer, mas tinha muito por fazer como impedir Debora de entrar naquele quarto, algo que geraria incômodos muitos, mas era preciso. Era o último pedido de Mauro. Ele não queria que a filha o visse daquela forma, ele preferia que ela guardasse a imagem de homem forte que ele era para ela:</p>
<p>_ Sai da minha frente Eva…    <br />_ Não!     <br />_ Me deixa passar…     <br />_ Não há absolutamente nada para você ver lá dentro…</p>
<p>Suzana que também sabia do pedido de Mauro interviu, tentando convencer Debora a não entrar, mas era sobre-humano pedir algo assim aquela altura. Mateus a envolveu num abraço forte, típico de quem tenta confortar, mesmo sabendo que em certos momentos não há conforto possível…</p>
<p>A vida é sempre curiosa, cada um tem um jeito de vivenciar a sua dor. Claudia chorava feito criança. Seus olhos estavam vermelhos. Suzana respirava fundo e tentava entender porque razão tudo aquilo estava acontecendo. Eva era indiferente, como se nada tivesse acontecido realmente e Debora abraçou o silencio e sua dor a fez dedicar-se intensamente a sua arte nos dias seguintes… Ela não mudara a data da vernissage e tão pouco adiara sua volta para Paris para total descontentamento de sua irmã que achava um absurdo aquela atitude. </p>
<p>Claudia tentou demover sua irmã daquela idéia, mas não houve como e finalmente, no dia 10 de setembro daquele ano, o casarão abriu as portas para os mais de oitocentos convidados que estavam ansiosos para por os olhos sobre aquela forma de Arte inusitada em solo brasileiro…</p>
<p>Ali estavam três painéis formados por pequenas telas que se embaralhavam formando uma só paisagem: nascimento, crescimento e envelhecimento numa mesma visão. Ao centro, pequenas esculturas feitas a partir do barro permitiam um olhar atento sobre uma espécie de concepção da vida que não se permitia saber onde exatamente começava e tão pouco onde terminava… </p>
<p>Contudo, Debora estava indiferente aquele lugar, aquelas pessoas. Concedia entrevistas várias sempre com os olhos voltados para a porta. A dança do relógio parecia cruel pra ela que a cada novo minuto confeccionava uma nova forma de inquietude, percebida principalmente por Eva:</p>
<p>_ Está esperando por alguém?</p>
<blockquote><p>Debora respirou fundo, mas não teve tempo de responder, pois seus olhos avistaram aquela figura de homem casual, com seu jeans e seu blazer, cabelos constantemente ajeitados pelas próprias mãos, barba e bigode por fazer. Sua presença fez Debora sorrir, era a primeira vez em muito tempo que ela via Gean sendo ele mesmo e não o irmão:</p>
</blockquote>
<p>_ Não mais…</p>
<p>A imprensa que estava na porta o cercou em busca de saber quem ele era, mas Debora o “salvou” a tempo, conduzindo-o por todo o espaço, apresentando cada detalhe daquela arte que de certa forma veio a existir por causa dele:</p>
<p>_ Achou que eu não vinha?    <br />_ Você não seria louco de não aparecer hoje porque todas essas pessoas são dispensáveis, menos você…</p>
<p>O olhar dos dois se interpretavam ali naquela distância estabelecida para evitar novas investidas por parte de fotógrafos e repórteres que estavam registrando absolutamente tudo. Enquanto isso Eva que assistia a cena de longe ao lado de Dario exibia um curioso sorriso em seus lábios:</p>
<p>_ Eu sempre soube que havia alguma coisa que ligava esses dois. O George nunca foi homem pra ela. O Gean sim…    <br />_ Lady Eva e sua sabedoria discreta sempre se fazendo presente.     <br />_ Dê uma olhada no olhar dos dois, eles se investigam calmamente, se buscam e é como se a gente nem estivesse aqui. É como se o olhar dos dois estivessem conversando num silêncio que não nos compete. Viu só como ele buscou a mão dela, aquele toque parece entrar pele a dentro e ir lá, bem no fundo da alma…</p>
<blockquote><p>Mas então, George Petrasco adentrou ao cenário, exibiu sorrisos para os fotógrafos, respondeu perguntas atentamente. Foi o tempo que Gean precisou para ir embora, deixando Debora insatisfeita. Seu olhar para Dario e Eva parecia perguntar “<strong>o que ele está fazendo aqui?”</strong> mas ele não havia sido convidado e mesmo assim estava lá.</p>
</blockquote>
<p>Debora havia abandonado o sorriso e agora parecia bufar. George a viu de longe, vindo em sua direção:</p>
<p>_ Estou surpreso em ver a Eva aqui. Depois de tudo que ela fez, achei que você fosse querer distância dela…    <br />_ Engraçado porque foi exatamente o que eu pensei de você!     <br />_ Debora, eu amo você e esse amor que eu sinto não é descartável, acho que por isso eu fiquei tão indignado com a atitude de sua mãe. Como você está reagindo sabendo de toda a verdade dessa forma? Por que seu pai não resistiu, se bem que da forma que a Eva contou tudo pra ele, acho que até eu teria enfartado…</p>
<p>Debora respirou fundo e dividiu seu olhar entre Eva e George, exibindo um sorriso sem graça, imerso numa ironia intensa. Ela não tinha tempo para pensar em todas aquelas coisas agora. Ela já nem queria mais estar ali, já não se importava mais com todo aquele cenário:</p>
<p>_ Com licença George…    <br />_ Onde você vai? Eu vou com você…</p>
<p>Mas Dario e Eva o impediram, chegando prontamente para cumprimentá-lo, como quem acaba de vê-lo ali em meio a tanta gente. Ele tentou ser simpático, mesmo não tendo a menor vontade de assim o ser. E enquanto sorria, buscava por Debora pelo salão e a viu saindo pelas portas do fundo para onde ele também se dirigiu…</p>
<p>Debora buscou por Gean e o localizou rapidamente quase no fim da rua, caminhando lentamente. Ela gritou “Giani” e ele a ouviria de qualquer lugar do mundo e voltaria para ela prontamente, como o fez:</p>
<p>_ Não há espaço para nós dois lá dentro, você sabe disso!    <br />_ Eu sei disso, então me leva com você pra onde você for…     <br />_ Mas e a vernissage? Os seus convidados?     <br />_ Eles não estão aqui pra ver a mim e sim o que já estão vendo lá dentro: você.</p>
<p>Giani sorriu enquanto acariciava a pele macia do rosto de Debora que ficou ali, de olhos fechados sentindo aquele toque e por fim, sentiu a intensidade de um beijo que povoou seus lábios com sofreguidão.</p>
<p>E ali, ao longe, George observou aquela cena, cerrando os pulsos, rangendo os dentes&#8230; Tivesse ele uma arma, atiraria nos dois ali mesmo!</p>
<p>Ele ainda viu Gean ser presenteado com um chaveiro que pertencia a uma Harley Davidson que estava mais adiante a esperar por eles “<strong>desgraçada, ela planejou ficar com ele. Aproveita bem o momento Debora Peixoto porque tudo na vida passa</strong>”. Repetia George para si mesmo enquanto ouvia o ronco da moto e assistia os dois indo embora rua afora…</p>
<p>&#160;</p>
<p><strong>&gt;&gt; continua…</strong></p>
Posted in De corpo e alma Tagged: beijo, capítulos, Exposição, Harley Davidson, irmão gemêos, novela, paixão, personagens, reencontro, vernissage <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunnaguedes.wordpress.com/628/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunnaguedes.wordpress.com/628/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunnaguedes.wordpress.com/628/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunnaguedes.wordpress.com/628/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunnaguedes.wordpress.com/628/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunnaguedes.wordpress.com/628/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunnaguedes.wordpress.com/628/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunnaguedes.wordpress.com/628/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunnaguedes.wordpress.com/628/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunnaguedes.wordpress.com/628/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunnaguedes.wordpress.com&blog=1529941&post=628&subd=lunnaguedes&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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